
O clássico strip-tease de Kim Basinger embalado por You Can Leave Your Hat On, canção de Joe Cocker.
Dirigido por Adrian Lyne “9 1/2 Semanas de Amor”, adaptação do livro homônimo escrito por Elizabeth McNeill, foi lançado nos cinemas norte-americanos em fevereiro de 1986. A recepção de crítica e público não foi das melhores, tornando-se um dos maiores fracassos daquele ano nos EUA. O longa sofreu com a censura da então conservadora sociedade norte-americana, que vivia a era Reagan – referência ao governo do presidente republicano Ronald Reagan. Cenas mais ousadas de sexo e uma das sequências cruciais do longa, no terceiro ato quando Elizabeth demonstra descontentamento com os jogos sadomasoquistas de John, foram abruptamente cortadas na sala de edição, visando uma classificação etária mais abrangente. O drama erótico foi considerado pela crítica uma mistura de videoclipe – estética também vista em “Flashdance” do mesmo Lyne, diretor oriundo do trabalho publicitário - com “softporno”. Surpreendentemente a produção estrelada por Mickey Rourke e Kim Basinger, dois atores que na época buscavam estabilidade profissional, foi um enorme sucesso em países europeus e da América Latina devido ao lançamento do longa em sua versão sem cortes.
No filme Basinger vive Elizabeth, linda mulher que trabalha numa galeria de arte. Ao conhecer John (Rourke), um executivo de Wall Street, ela se apaixona e acaba se submetendo aos desejos sexuais, muitas vezes humilhantes, do parceiro. A intensidade da relação do casal cresce na mesma proporção que os excessos de John, que faz Elizabeth perceber que se ela não der um basta será um caminho sem volta. Na sequência final do longa a personagem de Basinger diz: “Alguém teria que parar e você nunca faria isso”. Ela percebeu que era o momento de recuar, se afastar de algo que não estava de acordo com o que ela esperava de um relacionamento.
“Eu me vi em você”
Se em frente as telas o casal Rourke/Basinger demonstra uma química perfeita e incontestável, o mesmo não pode ser dito dos bastidores. Mickey Rourke, um ator talentoso porém temperamental, tratava Kim Basinger com desprezo e desdém. Inclusive afirmando ao diretor Adrian Lyne, que ela “não era bonita o suficiente para o papel e muito menos uma boa atriz”. Kim respondia os comentários do ator, dizendo que era um sacrifício enorme beijá-lo em cena, “que parecia que estava beijando um cinzeiro”, devido ao hábito de fumar de Rourke. Independente das brigas e intrigas de bastidores, passados 24 anos o filme se mantém como uma ótima opção para casais e inveterados românticos, mesmo que seu final não seja dos mais felizes. Apesar de ter um roteiro simples em enredo e desenvolvimento de personagens, “9 1/2 Semanas de Amor” é bem sucedido em sua estética, que representa com perfeição o cinema dos anos 80. Outros pontos positivos são a direção “publicitária” de Adrian Lyne e seus jogos de sombras e enquadramentos diferenciados, acompanhados de uma inspirada trilha sonora que marcou época. Artistas como Joe Cocker (“You Can Leave Your Hat On”), Eurythmics (“This City Never Sleeps”) Bryan Ferry (“Slave to Love”) e John Taylor, baixista da banda Duran Duran que lançou carreira solo com o single “I Do What I Do” e conseguiu uma 23ª posição na Billboard Hot 100, além de uma vergonhosa indicação ao Framboesa de Ouro de 1987 como pior canção original. “9 1/2 Semanas de Amor” foi, ainda, nomeado em mais duas categorias: pior roteiro e, injustamente, pior atriz para Kim Basinger. Que doze anos depois seria premiada com o Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu irrepreensível trabalho em “L. A. – Cidade Proibida”.
O carisma de “9 1/2 Semanas de Amor” continua inabalado, mesmo após mais de duas décadas o longa resiste ao tempo e matem seu charme, assim como seu casal de protagonistas. E como esquecer Kim Basinger, maior musa do cinema oitentista, dançado ao som de “You Can Leave Your Hat On” ou sendo lambuzada com mel em frente a uma geladeira. Impossível.
Você sabia?
• Sonia Braga e Isabella Rosselini (“Veludo Azul“) eram as primeiras opções de Adrian Lyne para interpretar Elizabeth
• Zalman King, um dos roteiristas do longa, e Mickey Rourke planejavam uma sequência no final da década de 80. “Four Days in February” seria o título da produção que foi recusada por Kim Basinger, na época envolvida nas fimagens do blockbuster “Batman”. A segunda parte de “9 1/2 Semanas de Amor” foi engavetada e Rourke e King foram trabalhar em “Orquídea Selvagem”, constrangedor projeto filmado no Brasil. Em 1997 o ator estrelou “9 1/2 Semanas de Amor 2″. Sem a presença de Basinger, o péssimo longa foi lançado direto em VHS em diversos países, inclusive nos EUA.
• 23 anos depois, Basinger e Rourke se reencontraram na estréia do longa “The Informers”, do qual ambos participam, porém sem atuar juntos.
9 1/2 Semanas de Amor (9 1/2 Weeks, EUA, 1986) De Adrian Lyne. Com Mickey Rourke, Kim Basinger, Margaret Whitton, Christine Baranski. 112 min. cotação: ótimo


Fiquei mais interessado ainda em ver o filme!
Abraço
Belissimo filme, ainda se mantém erótico e pungente..
RAMON, MEU CARO, ESTOU APAIXONADO POR TEU ESPAÇO!
Estou lendo tudo que posso, aos poucos, comento mais…
te linkei ao meu blog!
mantenha contato, abraço
Nem sei quantas vezes vi esse filme. Para mim, um dos melhores filmes eróticos.
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