Mamãezinha Querida: A maldição de Joan Crawford

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Uma das mais controversas estrelas da era de ouro de Hollywood, Joan Crawford foi o maior ícone da Metro-Goldwyn-Mayer na década de 30. Em 1945 se transferiu para a Warner Bros., casa de sua maior rival Bette Davis, para protagonizar Almas em Suplício. A adaptação do livro Mildred Pierce, que neste ano ganhou uma minissérie em cinco partes produzida pela HBO e tendo como estrela Kate Winslet, rendeu a Crawford seu primeiro Oscar de melhor atriz. Ela seria indicada por outras duas oportunidades pelos longas Fogueira de Paixões e Princípios da Alma (RKO), em 1947 e 52 respectivamente.

Rivais

Em 1962 o diretor Robert Aldrich conseguiu o inimaginável, juntar as rivais Davis e Crawford em um mesmo filme: o thriller psicológico O Que Terá Acontecido a Baby Jane?. Sucesso de crítica, o aclamado longa foi indicado a cinco prêmios Oscar – venceu na categoria figurino, incluindo melhor atriz para Bette, fato que deixou a temperamental Joan, esnobada pela Academia, revoltada. Após sua morte em 10 de maio de 1977, sua filha Christina Crawford, a primeira das quatro crianças adotadas pela estrela, lançou o polêmico livro Mamãezinha Querida (Mommie Dearest) revelando os bastidores de sua tumultuada relação com a famosa mãe. Joan Crawford fora revelada como uma mulher descontrolada, abusiva e que se refugiava dos problemas no álcool e nas agressões a seus filhos, principalmente a primogênita. Grande sucesso de vendas, o livro não demorou a chamar a atenção dos executivos de Hollywood. No final da década de 70 o diretor Fran Perry (indicado ao Oscar por David and Lisa, de 1962) começou a desenvolver o projeto tendo em mente para o papel de Joan Anne Bancroft, a atriz chegou a se comprometer mas abandonou o longa antes que o roteiro estivesse finalizado.

Rede de Intrigas e Mamãezinha Querida: Respectivamente consagração e declínio de uma carreira / Divulgação - United Artists, Paramount

“Ela é a única que têm talento para ser uma grande estrela!” Joan Crawford sobre Faye Dunaway.

Consagrada em 1977 com o Oscar de melhor atriz pelo clássico Rede de Intrigas, Faye Dunaway, uma das maiores atrizes norte-americanas das décadas de 60 e 70 e estrela de produções inesquecíveis como Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas, Chinatown - indicada ao Oscar como melhor atriz pelos dois filmes, Crow, O Magnífico e Três Dias do Condor aceitou o desafio de viver Joan Crawford na polêmica adaptação. Certa de que venceria o Oscar por sua interpretação, Faye ficou devastada ao ter seu trabalho destruído pelos críticos que a classificaram e o filme como exagerado e de mau gosto. Revisto atualmente Mamãezinha Querida não é tão ruim como sua reputação faz parecer. O longa começa bem mostrando a obsessão pela imagem e por limpeza de Joan, indicando uma personalidade compulsiva. Dunaway não decepciona, se entregando a personagem e saindo-se bem. O problema é que assim que a história se desenvolve, o tom melodramático se intensifica e com isso a atriz cai numa armadilha sem volta: o exagero. Transformando Joan em uma caricatura, uma espécie de vilã de novela mexicana, histérica ao extremo.

Considerado por cinéfilos como um guilty pleasure, o fracasso artístico de Mamãezinha Querida deixou sequelas graves na carreira de sua protagonista Faye Dunaway, que até hoje se recusa a falar sobre o filme. Desde o Oscar por sua fantástica atuação em Rede de Intrigas a carreira da atriz vinha perdendo fôlego com produções irregulares como os suspenses Os Olhos de Laura Mars e O Primeiro Pecado e o drama O Campeão com Jon Voight. Entretanto após viver uma aterrorizante Joan Crawford, se abateu uma espécie de “maldição” sobre sua carreira. Durante toda a década de 80 Dunaway teve apenas um sucesso de crítica, o drama de Barbet Schroeder Barfly - Condenados pelo Vício, pelo qual recebeu uma indicação ao Globo de Ouro como melhor atriz dramática. Produções como Supergirl, famigerada adaptação das aventuras da heroína da DC Comics, e o nada visto telefilme Beverly Hill Madam foram grandes fiascos.

Com Warren Beatty no clássico Bonnie & Clady e aos 70 anos no Festival de Cannes deste ano em que foi homenageada / Warner

Os anos 90 e a oportunidade perdida

O ostracismo profissional e os papéis rasos em filmes medíocres continuaram nas décadas seguintes, excetuando suas participações nos longas Arizona Dream - Um Sonho Americano, Don Juan DeMarco com Johnny Depp e Marlon Brando, O Segredo com Gene Hackman, Gia - Fama e Destruição com Angelina Jolie e que rendeu a Faye o Globo de Ouro como atriz coadjuvante, e Caminho sem Volta, longa de James Gray que trazia também no elenco Mark Whalberg, Joaquin Phoenix e Charlize Theron. Após anos sem grandes ofertas de personagens, Faye Dunaway jogou fora o que poderia ser a melhor oportunidade de sua carreira: o papel principal em Réquiem para Um Sonho do então novato diretor Darren Aronofsky, que posteriormente dirigiria os sucessos O Lutador e Cisne Negro. Ellen Burstyn assumiu a personagem, sendo aclamada pela crítica e indicada a todos os prêmios da temporada, incluindo o Oscar.

Atualmente relegada a pequenas participações em séries de televisão como CSI: Crime Scene Investigation e Grey’s Anatomy, Faye Dunaway sucumbiu ao seu ego inflado, escolhas equivocadas de personagens e em não saber envelhecer com sabedoria. Tornando-se uma caricatura da bela mulher que fora na juventude ao se submeter ao excesso de intervenções cirúrgicas. Logicamente que a “maldição de Joan Crawford” é apenas uma lenda urbana de Hollywood, a decadência artística de Faye Dunaway possui apenas uma responsável, a própria atriz que parou no tempo e não soube se reinventar como fez sua contemporânea e ainda grande estrela Jane Fonda.

Filmografia básica de Faye Dunaway

Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas (1967) / Crown, O Magnífico (1968) / Chinatown (1974) / Inferno na Torre (1974) / Rede de Intrigas (1976) / Os Olhos de Laura Mars (1978) / O Campeão (1979) / Mamãezinha Querida (1981) / Barfly – Condenados pelo Vício (1987) / Don Juan DeMarco (1994) / Gia – Fama e Destruição (1998) / Joana D’Arc de Luc Besson (1999) / Caminho sem Volta (2000)

Especial Marina Lima – Difícil

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Sexo é bom! Eu disse não, ela não ouvia. Mandei um sim, logo serviu. Então pensei, ela é bela porque não com ela?! Sexo é bom! Hum…

Há 25 anos Marina Lima gravou a clássica Difícil pela primeira vez para seu sexto álbum de estúdio, “Todas”. Marina, sempre uma visionária, compôs em parceria com Antonio Cícero essa que é de longe a música que melhor traduz os relacionamentos de ontem e hoje. Somos catalogados como pedaços de carne em um açougue, caçados sem pena e feitos de refeição por pessoas que valorizam apenas a imagem e o que ela pode oferecer de prazer momentâneo.

Para conseguir o que querem, essas pessoas se transformam em quem você espera encontrar em seu caminho. Na verdade esse é um movimento de projeção. Nos vemos na pessoa que por alguma razão escolhemos e achamos que, ela é como nós. Ledo engano, o que a grande maioria, alias quase que a totalidade quer, espera e principalmente caça nesta selva de pedra é sexo… porque como diz Marina em Difícil: “sexo é bom!” Mesmo que a principio você diga não, apenas seu sim será escutado.

“Mas acontece que eu tenho esse vício, de gente difícil no amor. Alguém lá no início me aplicou e me fez louca, me fez pouca  Me fez o que sou, difícil!… Nem sempre” 

Esse alguém apenas se repete nas pessoas que encontramos pela vida, seria isso o famoso “dedo podre”? Acredito que não, essa valorização continua de pessoas que usam e se fartam de outros como leões em uma selva, é a culpa da já falada projeção. Sempre esperamos o melhor das pessoas, se é isso que estamos dispostos a oferecer. Outro ponto que merece ser ressaltado é que os pensamentos de quem se posiciona na vida como caçador e de quem é integro com seus sentimentos, não está certo ou errado. Simplesmente são pensamentos opostos, e por isso diferentes. Cabe a quem espera algo mais profundo dos relacionamentos saber se posicionar e evitar que esses oportunistas contaminados pelo vício impregnado na sociedade os afete ou os destrua.

Lançada em 1985, “Difícil” foi um dos grandes sucessos de Marina e seu álbum “Todas”, ao lado de “Nada por Mim” e “Eu Te Amo Você”, que de certa forma se completam. Marina Lima revisitou Difícil por duas oportunidades, em “Todas ao Vivo”, disco extraído do show ”Sexo é bom – Todas ao Vivo” e em 2006 com álbum “La Nos Primórdios” – um dos melhores lançadas na última década. Indiscutivelmente as versões anos 80 tem seu charme, mas a modernidade impregnada na sonoridade da versão 2000 valorizou o principal trunfo da canção, sua letra ousada e verdadeira  interpretada com a sensualidade inconfundível de Marina.

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DIFÍCIL (todas, todas ao vivo, lá nos primórdios) / cotação: excelente

Relembrando – Curtindo a Vida Adoidado

Broderick como Ferris: ícone de gerações / Divulgação - Paramount

Bueller?! Bueller?! Bueller?!

Quando eu era moleque – e já faz um tempinho, não perdia a Sessão da Tarde na Globo. Naquela época, diferente de hoje, eram exibidos filmes de sucesso, cativantes e que ao longo dos anos viraram clássicos e permanecem até hoje no meu coração e de grande parte de quem cresceu nos anos 90. Um desses filmes inesquecíveis é “Curtindo a Vida Adoidado” com Matthew Broderick. Todo garoto da geração 80/90 queria ser Ferris Bueller, o “cara gente boa” que sempre se saia bem das mais curiosas situações, com um cativante e debochado sorriso no rosto.

Dirigido por John Hughes (“Clube dos Cinco“, produtor de “A Garota de Rosa Shocking“) – falecido em 2009 aos 59 anos de ataque cardíaco, mestre dos filmes adolescentes da década de 80, “Curtindo a Vida Adoidado” possui em seu elenco o seu grande trunfo. Matthew Broderick nasceu para interpretar Ferris, é o papel de sua vida! Pelo personagem ele recebeu uma indicação ao Globo de Ouro como melhor ator e eternizou sua imagem no cinema mundial contemporâneo. Alan Ruck, Mia Sara, Jeffrey Jones e Charlie Sheen, em uma participação rápida e marcante, também estão ótimos. Mas é Jennifer Grey quem rouba a cena com sua mal humorada Jeanie, irmã de Ferris. Uma pena que Grey, estrela de outro sucesso oitentista “Dirty Dancing – Ritmo Quente“, tenha perdido destaque no cinema. Ela é ótima!

Fantástica nostalgia

Tenho a edição de colecionador em DVD de “Curtindo a Vida Adoidado” e, sinceramente, não me canso de assistir a esse filme nostálgico, fantástico – a cena do desfile alemão em que Ferris dança ao som de “Twist and Shout” dos Beatles é clássico máximo. Curtindo a Vida Adoidado nos faz viajar para um período inesquecível da nossa vida.

E… quem nunca sonhou em ser Ferris Bueller?!

Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, EUA, 1986) De John Hughes. Com Matthew Broderick, Alan Ruck, Mia Sara, Jennifer Grey, Jeffrey Jones, Charlie Sheen. Paramount. 102 min. Cotação: Excelente 

Perfil – Lídia Brondi

Em Vale Tudo (1988) com Glória Pires / Divulgação - Rede Globo

Lídia Brondi abandonou a carreira precocemente no início dos anos 90. A telenovela Meu Bem, Meu Mal marcou sua despedida da televisão brasileira. Atualmente ela é psicóloga.

A atriz iniciou sua trajetória na década de 70 na série Márcia e Seus Problemas da TV Educativa em 1975. Após participação de destaque em Espelho Mágico ao lado de grandes astros como Tarcísio Meira e Glória Menezes, Lídia despontou para a fama como a jovem moderninha Vera Lúcia em Dancin’ Days, que vivia um romance com um homem mais velho, interpretado por Reginaldo Faria. Foi também no clássico escrito por Gilberto Braga em 1978, que tinha como protagonistas Sonia Braga, Antonio Fagundes e Joana Fomm, que a então novata Glória Pires teve seu primeiro grande momento na televisão como Marisa, a adolescente rebelde da vez. Após participar da problemática novela Os Gigantes em 1979, Lídia ganhou papel de destaque em Baila Comigo escrita em 1981 por Manoel Carlos, trama protagonizada por Tony Ramos, Betty Faria e Lilian Lemmertz como a primeira Helena do autor. A atriz dava vida a jornalista Mira Maia, uma garota que tinha como objetivo desestabilizar emocionalmente grande parte dos personagens da novela, semelhante a Iris (Deborah Secco) e Dóris (Regiane Alves) nas novelas Laços de Família e Mulheres Apaixonadas, do mesmo autor. Foi nesse mesmo ano que Brondi fez sua mais marcante participação nos cinemas na adaptação de Nelson Rodrigues O Beijo no Asfalto, dirigido por Bruno Barreto.

Foi também uma adaptação de Nelson Rodrigues, O Homem Proibido, que marcou o retorno de Lídia Brondi a televisão em 1982 na pele da vilã Joyce. Jovem neurótica que era capaz de todo tipo de armação, inclusive de fingir-se de cega, para atrapalhar o romance dos protagonistas, David Cardoso e Elizabeth Savalla. A novela não obteve uma grande repercussão, porém a atuação de Brondi foi aplaudida pela crítica. No mesmo ano interpretou a romântica Suzy em Final Feliz, sucesso de Ivani Ribeiro e que marcou a primeira novela da autora na Globo. Na sequência, em 1984, participou da trama Transas e Caretas de Lauro Cesar Muniz, mas diferente de seus trabalhos anteriores, sua personagem Luciana não é muito lembrada pelo grande público.

Os êxitos nos anos 80

Dancin' Days (1978) com Lauro Corona e Roque Santeiro (1985), ao lado de Regina e Lima Duarte / Divulgação - Rede Globo

Após passar de forma apagada por Transas e Caretas, Brondi ganhou papel de destaque em um dos maiores clássicos da televisão brasileira: Roque Santeiro. Escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva tendo como base a peça O Berço do Herói, do próprio Gomes, a novela foi inicialmente gravada em 1975 com Francisco Cuoco, Betty Faria e Lima Duarte nos papéis principais, porém a obra foi censurada pelo governo militar e apenas voltaria a televisão em 1985, com José Wilker e Regina Duarte, substituindo Cuoco e Faria. Brondi interpretava Tânia, filha de Sinhozinho Malta, e que vivia um polêmico caso de amor com o padre Albano (Cláudio Cavalcanti), que motivou protestos por parte da igreja católica na época.

Após doze anos de Globo, Lídia se transferiu para a Rede Manchete em 1987 para protagonizar ao lado de Christiane Torloni, Reginaldo Faria e José Wilker a “novela-reportagem”, por tratar de temas recorrentes do dia-a-dia como violência e prostituição, Corpo Santo. Na trama a atriz interpretou sua segunda jornalista Bárbara Diniz, que investigava o submundo do crime mostrado na novela. Sucesso de crítica e audiência, Corpo Santo foi escolhida melhor novela daquele ano pela Associação dos Críticos de São Paulo.

Em 1988 após uma bem sucedida passagem pela Manchete, Lídia Brondi retornou a Globo para dar vida a sua personagem mais marcante e popular, a – terceira – jornalista e produtora de moda Solange Duprat, rival da vilã ambiciosa Maria de Fátima (a genial Glória Pires) no clássico de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basseres, Vale Tudo. A novela que atualmente está sendo exibida com enorme sucesso no canal fechado Viva, marcou época e se tornou uma das mais famosas da TV brasileira. A interpretação natural de Brondi como a ética e obstinada Solange, que criou moda na época com seu corte de cabelo, roupas modernas e o bordão “chéri”, é excelente. A atriz é a “mocinha” da novela, mas de uma forma diferente do habitual. Solange é integra, mas quando precisa sabe jogar o mesmo jogo de pessoas sem caráter como Marco Aurélio e Fátima, além de enfrentar de igual para igual a megera Odete Roitman. Foi também em Vale Tudo que o público teve a constatação da ótima química que existe entre Lídia e Glória, repetindo a dobradinha de Dancin’ Days, é prazeroso ver as “rivais” em cena.

Seu trabalho sequinte foi em 1989 na adaptação da obra de Jorge Amado, Tieta, escrita por Aguinaldo Silva. Na trama Lídia interpretava Leonora, “enteada” do furacão Tieta, papel icônico da talentosa Betty Faria. Diferente de Solange que era uma mulher moderna, positiva e cheia de energia, Leonora era depressiva, amargurada com as decisões que havia tomado na vida. O oposto de Lídia e da maioria de seus personagens, e por isso mesmo um grande desafio. O saldo final foi positivo, Leonara ganhou o carinho do público e encontrou na atriz a interprete ideal, por toda a sensibilidade que Lídia colocou em sua composição. Tieta foi outro grande sucesso em sua carreira.

A despedida prematura

Já casada com o ator Cássio Gabus Mendes, seu companheiro de cena em Vale Tudo e Tieta, Lídia Brondi participou de Meu Bem, Meu Mal, novela escrita por seu sogro Cassiano Gabus Mendes e que marcou a despedida televisiva da atriz. Seu personagem na trama, Fernanda, foi uma grande decepção para seus fãs e para a própria atriz. Além de não possuir uma trama interessante, Lídia se viu no papel de coadjuvante de novatas como Adriana Esteves e Silvia Pfeiffer, um grande desperdicio de seu talento. Após a mal sucedida Meu Bem, Meu Mal, Brondi recusou um papel em Perigosas Peruas e se dedicou a peça Parsival em 1992, que é de fato seu último momento como atriz profissional.

Dona de uma beleza delicada que duelava com sua forte energia, Lídia Brondi ainda é uma das atrizes mais queridas do Brasil. Dona de papéis memoráveis em tramas que sempre estarão no imaginário popular.

Relembrando – Crimes de Paixão

Duelo de interpretações: Turner e Perkins / Divulgalçao - Silver Screen

Houve um tempo em que com maior frequência atores do chamado “time A” hollywoodiano estrelavam produções arriscadas que questionavam os valores da sociedade média norte-americana, e por tabela também dos costumes tradicionais de outras culturas. O polêmico cineasta inglês Ken Russell dirigiu em 1984 “Crimes de Paixão”, longa que provoca a quem o assiste inúmeras reações, que serão motivadas pelo conjunto de significados coletados ao longo da vivência de cada indivíduo. Podemos sentir repulsa, excitação, identificação e ou pena pela trajetória da protagonista Joanne Craine, interpretada com brilhantismo pela então musa dos anos 80 Kathleen Turner.

Durante o dia a bela Joanne é uma conceituada estilista, com uma vida confortável e estável. Durante a noite essa mulher se transforma em China Blue, prostituta especializada em satisfazer as fantasias sexuais de homens e mulheres, tidas como bizarras pela sociedade. Ser violada com violência por um homem de meia idade ou sodomizar um policial, eram alguns dos fetiches que China Blue satisfazia para seus clientes.

Polêmicas

Ken Russell, diretor acostumado com filmes polêmicos como “Mulheres Apaixonadas” – indicado ao Oscar de melhor diretor – e “Os Demônios”, teve em Turner a parceira perfeita. Aos 30 anos, a atriz que havia estreado nos cinemas três anos antes com sucesso em “Corpos Ardentes”, se despiu física e psicologicamente dando a armagurada e frágil personagem toda a carga de dramaticidade e sensualidade necessária para seduzir e comover o espectador. Joanne tinha uma razão para deixar ser machucada por aqueles homens e por se colocar em situações de perigo e humilhações. Suas desilusões amorosas a forçaram a criar uma barreira que a defendia de novos enganos emocionais, China Blue representava esse distanciamento a tudo que pudesse tocar a alma de Joanne e fazer com que ela voltasse a acreditar que poderia ser realizada emocionalmente.

O medo de sofrer transforma Joanne em China Blue / Divulgação - Silver Screen

A trilha sonora de “Crimes de Paixão” é outro grande acerto. Composta por Rick Wakemann, ex membro dos grupos Yes e Black Sabbath, ela completa o tom inusitado do mundo criado por Ken Russell. Anthony Parkins, protagonista do clássico ”Psicose” de Alfred Hitchcock, interpreta a mais louca das figuras que habitam esse mundo. Um suposto Padre que persegue prostitutas, em especial China Blue, para salvar suas almas do pecado em que vivem. O elo fraco do filme fica para a história do casal em crise Bobby (John Laughlin) e Amy Crady (Annie Potts), não pelo seu desenvolvimento que é necessário ao longa, pois Bobby se envolverá com China Blue, mas pelo mediano desempenho de Laughlin e Potts que destoam da excelência de Perkins e Turner, premiada como melhor atriz pelos críticos de Los Angeles e no Festival de San Jordan, realizado em Barcelona.

Mundo proibido

“Crimes de Paixão” foi realizado em uma época em que o cinema norte-americano e seus atores se arriscavam pela arte, em criar obras que contestassem os dogmas da sociedade. Hoje raramente vemos atores e cineastas renomados de Hollywood se aventurando por longas que sirvam para questionar e instigar o espectador a refletir sobre a sociedade em que vive.

Crimes de Paixão (Crimes of Passion, EUA, 1984) De Ken Russell. Com Kathleen Turner, Anthony Perkins, John Laughlin. 112 min. cotação: ótimo

 

Especial Marina Lima – Anos 80

Marina em 1987 em ensaio fotográfico para o álbum Virgem / Divulgação - Universal

Olhos Felizes (Brasil, 1980)

Indiscutivelmente a década de 1980 foi de Marina Lima. Após uma boa estréia com o álbum “Simples como Fogo”, a cantora deixou a gravadora WEA e se transferiu para a Ariola, que hoje faz parte do catálogo da Universal Music. Nascia em 1980 seu segundo trabalho musical: “Olhos Felizes”. Com grande parte das canções compostas por Marina e seu irmão Antonio Cícero, com destaque para “Olhos Felizes”, “Só Você” e “Rastros de Luz”, foi com esse álbum que Marina teve seu primeiro sucesso com repercussão nacional: “Nosso Estranho Amor”. Um dueto com Caetano Veloso, que também compôs a canção. Considerado pela cantora um álbum linear em termos de sonoridade, “Olhos Felizes” é um de seus trabalhos mais agradáveis. Romântico, positivo e solar

Produção executiva: Sérgio Mello. Direção artística: Mazola. Direção musical: Marina. Ariola. Cotação: Bom

Certos Acordes (Brasil, 1981)

Apesar do sucesso de “Nosso Estranho Amor” nas rádios brasileiras, Marina não ficou satisfeita com o resultado final de “Olhos Felizes”. Ela buscava, não apenas uma identidade que já transparecia em suas canções autorais, mas uma assinatura ímpar na sonoridade de seu trabalho. “Certos Acordes”, seu terceiro álbum, teve uma grande aceitação de crítica e público. Que fizeram de “Charme do Mundo” e “Gata Toda Dia” – composta em parceria com Leo Jaime e Tavinho Peres – grandes sucessos. As marcantes “Quem é esse Rapaz”, “O Lado Quente do Ser” e “Avenida Brasil” também foram destaques do LP.

Produção musical: Pisca. Produção executiva: Alexandre Agra. Direção artística: Mazola. Direção musical: Marina. Ariola. Cotação: Bom

Desta Vida, Desta Arte (Brasil, 1982)

“Desta Vida, Desta Arte” é até então o melhor e mais autoral álbum da cantora. Produzido em parceria com o guitarrista Pisca, remanescente do bem sucedido “Certos Acordes”, o quarto LP de Marina chama a atenção pela variedade de sua sonoridade e por flertar com o pop/rock. “Desta Vida, Desta Arte” possui verdadeiras pérolas musicais como: “Acho que Dá” – composta com Tavinho Peres, Noite e Dia de Lobão e Julio Barroso, a regravação de “Emoções” de Roberto e Erasmo Carlos e a tocante “Essas Coisas que Eu Mal Sei”. Letra bela e inspirada que ganhou mais força nas interpretações de Marina e Zizi Possi. O sucesso “Nos Beijamos Demais”, da trilha sonora do longa “Beijo na Boca” completa um trabalho que se impões pela diversidade musical e de talentos e que marcou o fim da era Ariola na carreira de Marina.

Produzido por Mazola. Direção musical: Marina e Pisca. Ariola. Cotação: Bom

Olhos Felizes (1980), Certos Acordes (1981), Desta Vida, Desta Arte (1982) e Fullgás (1984) / Divulgação - Universal

Fullgás (Brasil, 1984)

Solteira artisticamente, Marina flertou com a EMI, mas decidiu casar com a PolyGram – hoje Universal Music – em 1983. Cada vez mais imersa no rock e disposta a dar uma identidade a quase inexistente música pop nacional, Marina se cercou de talentos, como o parceiro de longa data Antonio Cícero, o músico Liminha e Lobão no clássico “Fullgás”. Lançado em 1984 o álbum transformou Marina em uma cantora popular, com os hits “Fullgás” e sua inovadora bateria eletrônica – parceria com Cícero, “Mesmo Que Seja Eu” – com uma interpretação que tomou para sí a canção e superou a original de Erasmo Carlos e “Me Chama”, composição de mestre de Lobão. “Fullgás”  “estourou” no país e levou junto Marina, cinco anos depois de sua estréia no mundo da música.

Produzido por José Augusto. Direção musical: Marina. PolyGram. Cotação: Ótimo

Todas (Brasil, 1985) / Todas ao Vivo (Brasil, 1986)

Se “Fullgás” a transformou em cantora popular, foi com “Todas” de 1985 que Marina virou fenômeno musical. Canções como a emblemática “Difícil” e as populares “Eu Te Amo Você” de Kiko Zambianchi e “Nada por Mim”, composta para Marina pelo então casal Herbert Vianna e Paula Toller viraram hits históricos da carreira da cantora. “Todas” possui ainda canções menos conhecidas como “Onde? (Orminda…)” e “Por Querer (Todas)” que são verdadeiras jóias musicais. O sucesso do LP deu origem a projetos mais ambiciosos: o álbum “Todas ao Vivo” e o show – que virou especial na extinta Rede Manchete – “Sexo é Bom – Todas ao Vivo”. O novo trabalho musical trazia releituras de canções que já estavam no “Todas”, como: “Me Chama”, “Difícil”, “Nada por Mim”,  “Eu Te Amo Você” e “Veneno”. Novas versões para “Fullgás”, “Noite e Dia” e “Ainda é Cedo” de Renato Russo. Além da inédita “Pra Começar”, tema de abertura da novela “Roda de Fogo” da Rede Globo. “Todas ao Vivo” foi o maior sucesso de vendas de Marina, até então, com 250 mil cópias, que garantiu disco de platina. O ponto alto do pacote álbum + show, para mim, é o VHS – que possuo em DVD – lançado pela Manchete Vídeo “Sexo é Bom – Todas ao Vivo”. O registro, que até hoje não teve sua comercialização em DVD, é uma grande oportunidade para ver Marina cantando em sua grande forma imersa no rock.

Produzido por José Augusto. Direção musical: Marina. PolyGram. Cotação: Ótimo / Supervisão geral: Mariozinho Rocha. PolyGram. Cotação: Ótimo

Todas (1985), Todas ao Vivo (1986), Virgem (1987) e Próxima Parada (1989) / Divulgação - Universal

Virgem (Brasil, 1987)

Já consagrada como a maior cantora dos anos 80, símbolo de canções autorais e de novas sonoridades, Marina lança em 1987 a sua obra-prima artística “Virgem”. A canção homônima é uma composição sua em parceria com Antonio Cícero, e é desde sempre a canção definitiva da dupla. “Preciso Dizer Que Te Amo”, escrita por Cazuza, Dé e Bebel Gilberto, garantiu a cantora o prêmio Sharp de música como melhor intérprete. Marina levou também como melhor cantora pop/rock e disco do ano. O álbum “Virgem”, abraçado por público e crítica, teve ainda o maior hit do verão daquele ano: “Uma Noite e Meia”, que criou polêmica por sua – para os padrões da época – ousada letra. Canções não tão conhecidas como “Pseudo Blues”, “Hearts”, “Prestes a Voar” e “1º de Abril (Eu Negar)” merecem uma nova conferida. “Virgem”, assim como “Todas ao Vivo”, vendeu 250 mil cópias e representou o auge artístico e popular para a carreira de Marina.

Produzido por Leo Gandelmam. Direção artística: Marina. PolyGram. Cotação: Excelente

Próxima Parada (Brasil, 1989)

A popularidade crescente conquistada com “Fullgás”, “Todas”, “Todas ao Vivo” e que chegou a seu ápice com “Virgem” fizeram Marina repensar o caminho pelo qual conduziria sua música. O álbum “Próxima Parada”, oitavo de estúdio da cantora, foi lançado em 1989 e trouxe uma direção calma em canções como a questionadora “$Cara” e “Garota de Ipanema”, bela releitura da composição de Tom Jobim e Vinicius de Mores e que inaugurou a MTV Brasil em 1990. Destaque também para a música título “Próxima Parada” e para o maior sucesso comercial do álbum “À Francesa” – composta por Claudio Zoli e Antonio Cícero, e que foi tema da personagem de Malu Mader em  “Top Model”, telenovela da Rede Globo. “Próxima Parada”, um álbum que exala sofisticação, rendeu a Marina os prêmios Sharp como melhor cantora pop/rock e de álbum do ano, além de ter sido certificado como disco de ouro ao vender 100 mil cópias.

Marina, ícone absoluto da música de qualidade dos anos 80, é poesia em forma humana!

Produzido por Carlos Martau. Produção executiva: Djalma Limongi. PolyGram. Cotação: Ótimo

Virgem – Marina

A seguir: Marina Lima

Dress you up – Madonna

Foto: Divulgação

Clássico da carreira da Madonna, e dos anos 80, Dress You Up faz parte do segundo álbum de inéditas da cantora, o “Like a Virgin”, lançado em 1984. A faixa título, “Material Girl” e “Into the Groove” (apenas nas versões européia e japonesa do disco) se tornaram hinos da rainha do pop.

A canção, injustamente, ficou um pouco “esquecida” na memória do público em geral. Mesmo sendo tão ou mais sensacional que “Like a Virgin”.

Na segunda parte da “Sticky & Sweet Tour”, realizada em 2009, Madonna trocou “Borderline” por “Dress You Up“. Ótima escolha!

Clipe retirado da “The Virgin Tour”. Primeira turnê de Madonna, em 1985.

“Gonna dress you up in my love
All over, all over
Gonna dress you up in my love
All over your body…”

Batman completa 20 anos

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Produção milionária, astros badalados, um diretor conceitual, muita polêmica e expectativa. Esse foi o cenário da estréia mundial de “Batman” em junho de 1989, adaptação da criação de Bob Kane dirigida por Tim Burton sob o olhar atento dos executivos da Warner Bros. O resultado, um longa de qualidade técnica impecável – como todos com a assinatura de Burton -, mas com grandes problemas de narrativa e a falta de grandes sequências de ação. Sim é uma adaptação, mas para que colocar o Coringa como o assassino dos pais de Bruce Wayne?

Jack Nicholson como o insâno Coringa rouba o show, como já era o esperado. A musa Kim Basinger, no auge de sua beleza, desfila sensualidade pela soturna Gotham City idealiza por Anton Furst, premiado com o Oscar. E Michael Keaton? Bom, Keaton fez o que pode como o homem-morcego, numa armadura que mais parecia uma camisa de força. O genial tema composto por Danny Elfman conquistou até os críticos mais ferrenhos do longa, foi um trabalho de mestre. Segunda maior bilheteria dos heróis DC nos cinemas, o “Batman” de Tim Burton marcou uma geração e originou uma sequência superior e inspiradissíma: “Batman – O Retorno“, que nos trouxe a Mulher-Gato definitiva sob o pêlo de Michelle Pfeiffer. Mas essa, é história para outro batpost!

O QUE ELES ESTÃO APRONTANDO?

O QUE ELES ESTÃO APRONTANDO?

Após o sucesso de seus dois longas na série “Batman”, Tim Burton dirigiu filmes de sucesso como “Ed Wood”, “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça” e “A Fantástica Fábrica de Chocolates”. Onde contou com seu mais habitual parceiro Johnny Depp. Os dois estão na aguardada adaptação “Alice no País das Maravilhas”, Burton na cadeira de diretor e Depp como o Chapeleiro Louco, que a Disney estréia no ano que vem.

O fera Jack Nicholson que embolsou cerca de 60 milhões de dólares por seu desempenho como Coringa, venceu mais um Oscar em 1998 por “Melhor é Impossível”. Seus mais recentes trabalhos no cinema foram o policial de Martin Scorsese “Os Infiltrados“, Oscar de melhor filme e diretor e “Antes de Partir” com Morgan Freeman.

A carreira de Michael Keaton, como diria Sheila Mello, virou água! Depois de ser dispensado por Joel Schumacher de “Batman Eternamente” o ator fez alguns filmes “família” que em nada ajudaram em sua carreira. Ele está no elenco de dubladores de “Toy Story 3″ que estréia em 2010.

A linda Kim Basinger virou estrela do primeiro time de Hollywood após o sucesso de sua Vicky Vale em “Batman”, casou com Alec Baldwin, teve uma filha, fez uma série de filmes inexpressivos e ou horrorosos. Até “L. A. – Cidade Proibida“, “filmaço” dirigido por Curtis Hanson que rendeu a loura o Oscar como melhor atriz coadjuvante em 1998. Na década atual concilia filmes comerciais como “8 Mile” e “Sentinela” com produções respeitadas pela crítica como “Provocação” e o aguardado “The Burning Plain“.