Lady Gaga teve uma ascenção meteórica, de desconhecida em 2008, virou mania mundial em menos de um ano com singles de sucessos – “Just Dance“, “Poker Face” e “Bad Romance” - e uma divertida participação no “Saturday Night Live” ao lado de Madonna.
Muitos querem compará-la a rainha do pop. Mas, claramente, as “influências”, para não dizer objetos de cópia de Gaga vão além de Madonna. David Bowie, Cher, Grace Jones, Thalía, Cyndi Lauper, Elton John, Christina Aguilera, Annie Lennox, Kylie Minogue, Gwen Stefani, Britney Spears e a pouco conhecida Roisin Murphy já foram alvo da feroz máquina de xerox de Gaga. Será que toda essa polêmica em torno da novata cantora revelação é justificável?
Muito antes de Lady Gaga
O camaleão Bowie, um dos mais talentosos e criativos do mundo da música, já chocava o público nos 70 com o “personagem” Ziggy Stardust. São dessa fase, grandes clássicos do rock como “Space Oddity“, “Changes”, “Starman” e “Ziggy Stardust”. As turnês teatrais e a reinvenção do conceito musical e de imagem inspiraram, inclusive, Madonna. Bowie foi um precursor. Além de se inspirar nas roupas futurísticas, Lady Gaga “reutilizou” o iconico raio de Bowie.
Cher sempre chama a atenção por onde passa, talentosa atriz de sucessos como “As Bruxas de Eastwick”, “Feitiço da Lua” – que lhe rendeu o Oscar em 1988 - e “Minha Mãe é uma Sereia”, é também cantora de sucesso e sempre apareceu com um visual extravagante. Com uma voz marcante e dona de hits importantes como “If I Could Turn Back Time” e “Believe”, a cantora sempre se mostrou visualmente a frente de seu tempo. O gosto pelo “bizarro” jeito de vestir é compartilhado por Grace Jones, outra artista que teve seu auge nos anos 1980. Modelo, cantora e atriz, a carismática jamaicana de voz forte e sensual fez sucesso com a canção “Strange” da trilha sonora do longa “Busca Frenética” de Roman Polanski. Assim como Cher, Jones mantém o gosto pelo “diferente” até hoje. Suas performances em shows e aparições públicas com visuais excêntricos são facilmente reconhecidos em Lady Gaga.
A cantora de clássicos como “Girls Just Wanna Have Fun“, “True Colors” e “Time After Time”, Cyndi Lauper, hoje exibe um visual mais discreto. Porém, há mais de vinte anos ela mostrava diversão e ousadia no modo colorido de se vestir. Ótima cantora, Cyndi não conseguiu se manter no mercado mainstream musical, acabou perdendo a “batalha” para, novamente ela, Madonna. Mas continua lançando álbuns, e trouxe sua turnê em 2008 para o Brasil, com sucesso. Em tom de brincadeira o presidente Barack Obama disse para Lauper que Gaga a imitava, a veterana achou graça. Nos últimos meses as duas cantoras têm feito aparições juntas em programas de TV e campanhas publicitárias, em prol de uma causa nobre, o projeto M-A-C Viva Glam. Que dá suporte a mulheres diagnosticadas com o vírus HIV.
Madonna, a rainha do pop
Madonna não precisa de apresentações. Maior estrela pop do mundo da música, a cantora sempre se reinventou ao longo dos anos. Trazendo sonoridades novas e utilizando a moda e a época de ouro do cinema como expressões artísticas em seus trabalhos, sempre de forma conceitual. Tudo no trabalho de Madonna tem um por que. Lady Gaga também utiliza esses elementos em seus trabalhos, porém tudo soa jogado. Sem conceito.
O videoclipe de “Telephone” é a prova clara disso, ele não se encaixa na proposta do álbum “The Fame Monster”. E não tem a menor ligação com a letra da música, parece que foi feito apenas para chamar a atenção. Inspirado em videoclipes com enredo como “Thriller” e “Papa Don’t Preach”, diferente dos citados, “Telephone” é apenas uma colagem de referências sem o menor sentido. Até na cantora mexicana Paulina Rubio, Gaga foi se “inspirar”. Mais precisamente no videoclipe ”Algo Tienes”, lançado em 2004. Não é a primeira vez que Lady Gaga faz isso, quem se esquece das “semelhanças” de “LoveGame” com “Toxic”, onde Britney Spears dançava de forma sensual coberta por diamantes. O conteúdo sexual exagerado em “Telephone” é outro ponto que o torna mais “perdido” ainda, se em 1990, Madonna chocou ao beijar outra mulher em “Justify My Love”, em 2010 a cena lésbica de Gaga soa ultrapassada. A cantora foi melhor sucedida com o ótimo “Bad Romance”. Gaga adora performances acústicas com pianos, sempre acompanhadas por roupas excêntricas, o que remete imediandamente ao cantor Elton John, com quem a cantora dividiu o palco do Grammy desse ano.
Seria injusto falar sobre as “referências” de Lady Gaga sem citar cinco cantoras contemporâneas: Christina Aguilera, Gwen Stefani, Kylie Minogue, Thalía e Roisin Murphy. As roupas fashionistas e excêntricas já faziam parte do visual de Murphy muito antes de Gaga surgir, algumas peças do figurino de ambas são idênticas. A estrela mexicana Thalía abusava das roupas e performances extravagantes nos anos 90, como as usadas nos videoclipes ”La Vie en Rose”, “Love” e “Sangre”. Enquanto Gaga é considerada cool, Thalía era chamada de brega.
Quando Christina Aguilera começou a divulgação de sua coletânea “Keeps Gettin Better: A Decade of Hits” em 2008, com um visual louro platinado com franja foi acusada de copiar o já copiado visual de Lady Gaga. Muitos parecem esquecer que o visual ”ousado” foi usado por Aguilera muito antes, as cores no cabelo no clipe de “Come on Over”, o exagero no figurino de “Lady Marmalade”. Além do interessante visual da cantora no videoclipe de “Fighter”, claramente inspirado em “Frozen” de Madonna. O citado cabelo platinado com franja adotado por Christina e Lady Gaga em 2008, foi usado antes por Gwen Stefani. A vocalista do No Doubt trouxe também de volta uma característica marcante dos anos 80 adotada por Gaga, os óculos. A australiana Kylie Minogue desde que se tornou uma sensação internacional em 2001 com o álbum “Fever”, também mostrou ousadia com roupas quase sempre mínimas. A diferença é que Kylie as usava apenas em shows e trabalhos musicais.
Muitos podem achar que Gaga usa todos esses artistas como referências, porém o que é visto é que ela os plagia. Usar como referência é reutilizar, dar novo sentido para algo já feito antes. O que Lady Gaga faz, no geral, é juntar coisas que já deram certo com outros artistas. Escolha dela, fazer isso, o problema são alguns de seus fãs que acham que Gaga é inovadora. Ela inova na forma de copiar, apenas isso. Para quem acha o trabalho de Lady Gaga tão original, tão chocante ou tão fora do comum, deveria assistir a “Drowned Tour” que Madonna lançou em 2001 ou a videoclipes como “Frozen” e “Bedtime Stories”. Tudo que a rainha do pop faz nessa turnê e nos videoclipes citados é superior em todos os sentidos ao, vale ressaltar ótimo, trabalho de Gaga. Apesar de ser uma cantora com boa voz, “Speechless” é uma canção bacana, ela passa longe de ser original e transgressora como foram Madonna, Cher e David Bowie.
Um produto midiático
Lady Gaga é um produto muito bem pensado da inteligente Stefani Joanne Angelina Germanotta, que encontrou um ótimo jeito para em dois anos virar a sensação do pop. Chocar e chamar a atenção com roupas, declarações e performances bizarras. Até agora tudo deu certo, seu álbum “The Fame” é um êxito, seus singles viciantes fazem cada vez mais sucesso e até dois prêmios Grammy a baixinha já tem na estante. Mas será que sem essa produção toda, roupas fashion e declarações que soam exageradas e pouco verdadeiras, Gaga se sustentará apenas com sua qualidade musical?






