Se eu fosse o diretor – Tomb Raider

Dez anos depois de seu lançamento Lara Croft: Tomb Raider continua sendo a adaptação de maior sucesso de um jogo eletrônico. Divulgação - Paramount

Prestes a completar dez anos a adaptação de Tomb Raider ganha uma hipotética nova roupagem

Ainda lembro da alegria que foi entrar na sala de cinema em julho de 2001 para assistir pela primeira vez Angelina Jolie como Lara Croft em Tomb Raider. O irregular filme dirigido pelo inexpressivo Simon West pecou pelo fraco roteiro, mas a presença hipnotizante de Jolie como a arqueóloga fez da produção um dos maiores sucessos daquele ano.

Nestes dias de correria me peguei pensando em como produziria Tomb Raider se fosse o responsável pela adaptação, é isso que você confere a seguir.

[a história] Lara Croft é contratada pela misteriosa milionária Jacqueline Natla para encontrar o poderoso artefato Scion, que está perdido em algum lugar do Egito. Lara encontra no Peru a primeira pista que a levará ao artefato, porém percebe as más intenções de Jacqueline e decide procurar por conta própria as demais peças que a levarão ao Scion. Quem ajudará a caçadora de tumbas nessa busca será seu mentor, o arqueólogo Werner vonCroy.

Paralelamente a isso Jacqueline não desistirá de colocar as mãos no poder do artefato e coloca dois membros de sua seita, o arqueólogo Pierre DuPont, que no passado viveu um caso de amor com a heróína, e o mercenário Larson para atrapalhar o caminho de Lara Croft e conseguir alcançar o Scion antes dela.

Obviamente Lara conseguirá encontrar o Scion nas pirâmides do Egito, que servirá de palco para o confronto decisivo entre a arqueóloga e Jacqueline. A vilã mostrará a Lara seus reais poderes e revelará sua participação na morte dos pais da heroína no passado.

[locações] Inglaterra, Egito, Grécia e Peru / trilha sonora] Hans Zimmer

Lara Croft (Angelina Jolie), Jacqueline Natla (Sigourney Weaver), vonCroy (Sean Connery) e Pierre DuPont (Guillaume Canet)

[Lara Croft - Angelina Jolie]

Angelina Jolie foi e sempre será a escolha perfeita para interpretar a arqueóloga Lara Croft. Maior sucesso dos filmes originais, a belíssima estrela voltaria a usar trança, pistolas e regata na nova adaptação. Acostumada a filmes de ação e a dramas pesados, Jolie tiraria de letra, mais uma vez, o desafio.

[Jacqueline Natla - Sigourney Weaver]

Fascinada pelo mistério que envolve o artefato Scion, a milionária e feiticeira de uma seita obscura Jacqueline Natla seria interpretada por Sigourney Weaver. Dona de papéis memoráveis ao longo de sua carreira, a atriz seria uma adição interessante para a franquia. Tomb Raider também marcaria seu reencontro com o diretor Ridley Scott, após parcerias em Alien e A Conquista do Paraíso.

[Werner vonCroy - Sean Connery] vonCroy, mentor de Lara Croft, seria o papel perfeito para o eterno Bond Sean Connery. Com seu refinado sarcasmo e carisma inconfundível, o astro faria uma bela pareceria com Jolie. Repetindo Corações Apaixonados, em que foram pai e filha.

[Pierre DuPont - Guillaume Canet] Previamente o papel ficaria com Oliver Martinez (Infidelidade, Roubando Vidas), porém para interpretar o arqueólogo Pierre DuPont é necessário um ator que tenha talento dramático, o que falta em Martinez e sobra no francês Guillaume Canet. Considerado um dos melhores atores franceses da atualidade, Canet daria vida a DuPont aliado de Jacqueline e Larson na busca pelo poder do artefato Scion. Diferente de seus parceiros ele tem um passado com Lara, o que colocaria em questão sua fidelidade a seita comandada por Natla.

Larson (Daniel Craig), Amelia Croft (Jaqueline Bisset), Lorde Croft (Jon Voight) e o diretor Ridley Scott

[Larson - Daniel Craig] O atual James Bond viveu no filme original o arqueólogo Alex West, interesse romântico sem sal de Lara. Na nova adaptação o ator interpretaria o mercenário Larson, aliado de Jacqueline na caçada a Lara Croft. Não haveria nenhum romance entre os dois.  

[Lorde Croft e Amelia Croft - Jon Voight e Jaqueline Bisset] Jon Voight, pai de Jolie, seria mantido na adaptação como Lorde Croft, agora um empresário e não um arqueólogo, e ganharia a companhia de Jaqueline Bisset como a mãe da arqueóloga. Ambos desaparecidos anos atrás em um acidente de avião, obra de Jacqueline Natla.

[diretor] Ridley Scott (Alien, Blade Runner e Gladiador)

Simon West, equivocada escolha dos produtores para comandar Tomb Raider em 2001, seria substituído pelo competente Ridley Scott. Na época vivendo o sucesso de Gladiador, Scott seria a escolha ideal para comandar o longa que levaria Lara a misteriosas locações no Peru, Grécia e Egito. Além da Inglaterra, lar da heroína. Acostumado a filmes com visuais impressionantes como Blade Runner, o diretor também teve sucesso abordando com naturalidade mulheres fortes em Alien e Thelma & Louise.

 

David Fincher pode unir forças com Angelina Jolie em Cleópatra

Em cena de Alexandre, épico dirigido por Oliver Stone em 2004 / Divulgação - Warner

Há pouco mais de nove meses o produtor norte-americano Scott Rudin revelou o desejo de produzir em parceria com a Sony Pictures uma nova versão da trajetória de Cleópatra, tendo como base o livro Cleopatra - A Life de Stacy Schiff. Com Angelina Jolie confirmada no papel título e roteito de Brian Helgeland (Oscar por L. A. – Cidade Proibida), o projeto teve James Cameron e Paul Greengrass (O Ultimato Bourne) como possíveis diretores. Ambos ambandonaram o barco por projetos pessoais: Cameron optou por Avatar 2 e Greengrass dirigirá Memphis, cinebiografia do ativista Matin Luther King.

Quando todos pensavam que a produção seria cancelada eis que surge o nome de David Fincher. O diretor está em negociações com Rudin, que produziu A Rede Social, para assumir Cleópatra. Talentoso e realizador de clássicos contemporâneos como Se7en – Os Sete Crimes Capitais e Clube da Luta, Fincher seria uma escolha mais do que acertada para comandar esse novo olhar sobre Cleópatra, que será mostrada como uma mulher inteligente e estrategista e não apenas como um sedutora rainha. 

Um diretor que prima pela excelência 

O então novato Fincher teve divergências criativas com os executivos da Fox durante a produção de Alien³ / Divulgação - Fox

David Fincher estreou no comando de longas metragens em 1992 com Alien³, terceira parte da série estrelada por Sigourney Weaver. Com um visual claustrofóbico e uma história que primava pela falta de esperança tratando a presença do alien em um planeta prisão como metáfora ao vírus HIV no início da década de 90, o filme foi recebido com má vontade por fãs e críticos. Injustamente, pois o longa continua com excelência a saga iniciada por Ridley Scott em 1979. Três anos depois Fincher assinou o thriller Se7en – Os Sete Crimes Capitais, que marcou sua primeira parceria com Brad Pitt. O longa, que ao lado de O Silêncio dos Inocentes redefiniu o gênero suspense policial nos anos 90, trazia também no elenco Morgan Freeman, Gwyneth Paltrow e Kevin Spacey. Com uma fotografia espetacular e um excelente roteiro Se7en é um dos melhores trabalhos do diretor. Assim como Clube da Luta, polêmico longa lançado em 1999 e que trazia irrepreensíveis atuações de Brad Pitt e Edward Norton. Um dos melhores filmes do cinema contemporâneo, a adaptação do livro de Chuck Palahniuk funciona como uma grande crítica ao consumismo e a valorização de marcas e status sociais.

Fincher dirigiu também o ótimo Vidas em Jogo com Michael Douglas e Sean Penn, o sucesso de bilheteria O Quarto Pânico, que marcou o retorno de Jodie Foster aos cinemas após três anos afastada. O suspense policial Zodíaco, um dos melhores filmes de 2007 e que foi injustamente esnobado no Oscar daquele ano. E os “oscarizados” O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social, vencedores de três prêmios da academia e que renderam a Fincher indicações ao Oscar como melhor diretor. Nas duas oportunidades ele saiu de mãos vazias e viu Danny Boyle por Quem Quer Ser um Milionário? e Tom Hooper por O Discurso do Rei saírem com o “careca dourado”.

Brad Pitt, habitual parceiro do diretor, nos clássicos Se7en e Clube da Luta / Divulgação - New Line. Fox

David Fincher, que dirigiu quatro videoclipes clássicos de Madonna: Express Yourself, Oh Father, Vogue e Bad Girl, volta as telas no fim do ano com The Girl with the Dragon Tattoo. Longa que traz no elenco Daniel Craig (007 – Cassino Royale) e que é inspirado em um filme sueco de mesmo nome. Depois disso o diretor decidirá entre Cleópatra com Angelina Jolie ou a adaptação do clássico de Julio Verne 20 Mil Léguas Submarinas para a Disney. Espero que ele fique com a rainha do Nilo.

Cinco maiores sucessos mundiais de David Fincher

1. O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008) – 333,93***

2. Se7en – Os Sete Crimes Capitais (Seven, 1995) – 327,31***

3. A Rede Social (The Social Network, 2010) - 224,58***

4. O Quarto do Pânico (Panic Room, 2002) - 196,39*** 

5. Alien³ (1992) – 159,81***

*** Renda mundial

Especial Salt: Mulheres no comando

Angelina Jolie em cena de Salt

O clichê de tratar as mulheres em filmes de ação como mocinhas em perigo, saiu de moda no cinema comercial norte-americano há um bom tempo. Angelina Jolie não está sozinha nessa revolução no gênero ação, mas com toda certeza representa com exatidão a força e determinação das mulheres em filmes que antes eram dominados por homens.

A primeira mulher durona e desafiadora do cinema mundial não era estrela de um típico filme de ação, e sim do romance épico mais famoso e celebrado da história. Seu nome Scarlett O’hara, a voluntariosa protagonista de “…E O Vento Levou”. A personagem imortalizada com maestria por Vivien Leigh dominava e manipulava todos a sua volta usando inteligente, sensualidade e beleza. Ambiciosa, conseguiu seus objetivos se aliando a rivais e não titubeou em matar um soldado ianque, que invandiu sua fazendo, Tara, atirando em seu rosto. De 1939, ano de lançamento de “…E O Vento Levou”, pulamos 29 anos até “Barbarella”, adaptação de Roger Vadim para os quadrinhos criados por Jean-Claude Forest. Com Jane Fonda no papel título, a ficção científica e comédia erótica psicodélica foi um grande fracasso na época de seu lançamento. E pouco serviu para impulsionar a criação de novas heroínas no cinema, Barbarella era apenas um fetiche, tanto que Fonda posou para a revista erótica Penthouse vestida (ou despedida) como a personagem.

Scarlett O'hara (...e o Vento Levou), Barbarella, Jill, Sabrina, Kelly (As Panteras) e Peper (Police Woman)

Próxima parada: a televisão

Foi na década de 1970, época dominada pelo olhar masculino no cinema norte-americano – leia-se Francis Ford Coppola e Al Pacino com “O Poderoso Chefão” e a dupla Martin Scorsese/Robert De Niro, que as mulheres começaram a ganhar uma fatia, ainda que pequena, no mercado de ação. Em 1974 pela rede NBC foi ao ar o seriado “Police Woman”, com Angie Dickinson no papel da sargento Leann “Peper” Anderson. Ao longo de quatro temporadas bem sucedidas a ”Police Woman” fez história na televisão mundial, por ser a primeira série dramática de sucesso tendo uma mulher como protagonista. Dickinson foi premiada com o Globo de Ouro de melhor atriz por seu desempenho, além de três indicações ao Emmy na mesma categoria.

O êxito de “Police Woman” motivou dois anos depois as estréias de dois seriados, “As Panteras” (“Charlie’s Angels”) e “Mulher-Maravilha”, que se transformaram em ícones dos anos 70. A heróina da DC Comics chegou antes a televisão, em 1975 com um episódio piloto que contava a origem da personagem vivida pela bela Lynda Carter. No ano seguinte teve início a série regular que ficaria no ar durante três temporadas, mesmo com o enredo infantil o seriado marcou uma geração e até hoje Carter é a Mulher-Maravilha definitiva.  Com maior sucesso, Farrah Fawcet, Kate Jackson e Jacklyn Smith viraram mania mundial com “As Panteras”. O seriado seguia o estilo de “Police Woman”, porém era menos sério que o precursor. As detetives da agência de Charlie (voz de John Forsythe) eram sempre mostradas em trajes sumários, para época, com o objetivo de atrair o público masculino. Pode-se dizer que “As Panteras” tentava encontrar o equilíbrio, juntando a força feminina ao apelo sexual. Com a saída de Fawcet, maior chamariz do seriado, o programa foi perdendo força ao longo dos anos chegando ao cancelamento em 1981, após cinco temporadas. Cheryl Ladd, Shelley Hack e Tanya Roberts também foram panteras. Porém passaram longe do brilho do trio inicial.

A década de 1980 é hoje lembrada pelos exageros das roupas, por Madonna e Michael Jackson dominando as paradas musicais e, principalmente, pelo cinema de ação dos brucutus anabolizados Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e seus genéricos. Três anos antes de Stallone criar o “exército de um homem só” com seu “Rambo – Programado para Matar”, Sigourney Weaver foi ao espaço em “Alien – Oitavo Passageiro”, clássico dirigido por Ridley Scott. A emblemática tenente Ellen Ripley era na verdade para ser interpretada por um homem, Scott foi o responsável pela escalação de Weaver, e o resto é história. A atriz se consagrou ao longo de quatro filmes, tendo alcançado seu ápice em “Aliens, O Resgate”, mega-sucesso da década de 80 dirigido por James Cameron. No longa Ripley acorda cinquenta e sete anos depois de seu primeiro embate com alienigena cuspidor de ácido. Com o objetivo de salvar a população que vive no planeta onde tudo ocorreu com sua nave, Ripley decide voltar e por consequência enfrentar novamente os aliens. Indicado a sete prêmios Oscar, incluindo melhor atriz para Weaver, e vencedor de dois, “Aliens, O Resgate” é até hoje o melhor filme de ação estrelado por uma personagem feminina.

Os ícones moldados por James Cameron: Ellen Ripley (Aliens) e Sarah Connor (Terminator). Abaixo: Clarice Starling (O Silêncio dos Inocentes) e Mulher-Gato (Batman - O Retorno)

Ainda na década de 80, Gena Rowlands dirigida por seu marido o diretor e roteirista John Cassevetes, estrelou “Glória”. Policial que mostrava a luta de uma mulher (Rowlands, indicada ao Oscar pelo papel) para proteger um garoto perseguido pela máfia em Nova York. O longa foi refilmado em 1999 com Sharon Stone no papel título e Sidney Lumet na direção, mas o resultado ficou aquem do original. No Brasil, Betty Faria representou a força das mulheres na década com longas como “Anjos do Arrabalde”, onde vivia uma professora lésbica, “Lili – A Estrela do Crime” e “Romance da Empregada” de Bruno Barreto. Betty era Fausta, diarista que enfrentava com bom humor as dificuldades da vida do brasileiro. Na televisão ela viveu o auge de popularidade com “Tieta”, adaptação da obra de Jorge Amado, uma mulher com personalidade forte e sem papas na língua. Outro ícone da década, ao menos na televisão nacional, foi o seriado “Dama de Ouro”. Lançado em 1985 pela rede norte-americana ABC e posteriormente exibido pela rede Globo, a produção estrelada pela detetive Kate Mahoney (Jamie Rose) era uma espécie de Dirty Harry de saias. A série durou 13 episódios e foi cancelada devido as críticas a violência excessiva de seus episódios.

Anos 90

A década de 90 teve início com acertos como Sigourney Weaver e sua inesquecível Ripley e Linda Hamilton em “O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final”. Dirigido por James Cameron, o longa mais caro da época transformou a frágil Sarah Connor do primeiro filme em uma determinada – e musculosa – mulher destinada a defender seu filho de qualquer ameaça, mostrou que havia espaço para mulheres duronas em filmes de sucesso. Merecem menções também a Mulher-Gato feita com maestria por Michelle Pfeiffer em “Batman – O Retorno”. A anti-heroína da DC Comics parou o mundo em 1992, assim como a enigmática Catherine Tramell de Sharon Stone em “Instinto Selvagem”, que três anos depois se aventuraria pelo western em “Rápida e Mortal”, Clarice Starling, agente do FBI interpretada pela genial Jodie Foster em “O Silêncio dos Inocentes” e Meryl Streep, que na década de 80 interpretou mulheres fortes em “Silkwood – O Retrato de Uma Coragem” e “Plenty – O Mundo de Uma Mulher”, em “O Rio Selvagem”.

Televisão: Memorial de Maria Moura e La Femme Nikita. Abaixo: O Tigre e O Dragão

No campo televisivo “La Femme Nikita”, “Xena - A Princesa Guerreira”, “Buffy – A Caça Vampiros” e as séries brasileiras ”A Justiceira” com Malu Mader e “Mulher” com Patrícia Pilar foram tentativas satisfatórias de mostrar a força das mulheres, mas que não chegaram perto de  “Memorial de Maria Moura”, adaptação da obra de Raquel de Queiroz e que teve Glória Pires como protagonista. Os êxitos dessas produções conseguiram ofuscar as tentativas fracassadas de Demi Moore, com “Até o Limite da Honra”, e Genna Davies com “A Ilha da Garganta Cortada” que levou a produtora Carolco (dos sucessos “Instinto Selvagem” e “O Vingador do Futuro”) a falência. No fim da década, “Matrix”, a aplaudida obra dos irmãos Wachowski trouxe Carrie-Anne Moss como Trinity. Um dos inúmeros acertos da produção.

Angelina Jolie, a estrela de ação definitiva

Se nos anos 70 “As Panteras” foi sucesso ao mostrar mulheres sensuais combatendo o crime, em 2000 a fórmula vencedora foi repetida, agora nos cinemas, e com o mesmo êxito. Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu reviveram as panteras em dois longas que deixaram de lado o uso de armas em favor das técnicas de lutas semelhantes as utilizadas em “Matrix”. “O Tigre e o Dragão” de Ang Lee, do mesmo ano, mostrou a história de duas guerreiras, vividas por Michelle Yeoh e Zhang Ziyi. Elas foram protagonistas de espetaculares cenas de ação no filme vencedor de quatro prêmios Oscar. Sem armas, espadas ou punhos prontos para desferir socos, mas com muita coragem, estava Erin Brockovich personagem de Julia Roberts no filme homônimo. A mãe solteira de três filhos, sem pudores de falar o que pensava e brigar por seus ideais rendeu a eterna linda mulher um Oscar de melhor atriz.

No ano seguinte, em 2001, o cinema de ação teria finalmente uma estrela pronta para brigar de igual para igual com os homens que até então dominavam o genêro. Angelina Jolie surpreendeu a todos ao aceitar viver a heroína dos videogames Lara Croft em “Tomb Raider”. A atriz acabara de receber o Oscar como melhor coadjuvante e se aventurar por um filme de ação seria a última escolha de uma jovem atriz. Mesmo o filme tendo sido alvo de inúmeras críticas, o trabalho de Jolie foi aprovado e transformou a produção em um grande sucesso de bilheteria e viabilizou uma nova leva de produções com socos e tiros estreladas por mulheres. Milla Jovovich também em uma adaptação de game, “Resident Evil”, veio na esteira do sucesso do longa da arqueóloga. A ex-modelo ucraniana se mostrou competente nos filmes posteriores da série e virou uma espécie de Jolie em liquidação, estrelando outros filmes de ação como “Ultravioleta” e “A Trilha”, ambos fracassos de bilheteria. Nos próximos meses Jovovich retornará ao universo dos games com “Resident Evil: O Recomeço”, quarto filme da franquia baseada no game da Capcom.

A Noiva (Kill Bill Vol. 1), Lara Croft (Tomb Raider: A Origem da Vida), Alice (Resident Evil 3) e Elektra

Se Milla Jovovich é uma versão menor de Jolie, o mesmo não pode ser dito de Uma Thurman. A loura criou em parceria com o diretor Quentin Tarantino uma das mais importantes personagens dos anos 2000, A Noiva, protagonista de “Kill Bill”. O longa não é um filme de ação comum, nem poderia ser, pois possui a assinatura inconfundível de Tarantino. A saga de vingança da personagem de Thurman foi dividida em duas partes lançadas com incrível sucesso de crítica e público em 2003 e 2004. O trabalho acima da média da atriz rendeu indicações ao Globo de Ouro e um lugar especial na galeria de mulheres fortes do cinema. Após um longo inverno Jodie Foster retornou aos cinemas em 2002 com “O Quarto do Pânico”, suspense movimentado dirigido por David Fincher, onde vivia uma mãe destinada a proteger sua filha de três bandidos. Posteriormente Foster estrelou com sucesso “Plano de Vôo” e “Valente”, com tipos semelhantes: mulheres corajosas. Com as adaptações de HQ em alta vimos os sucessos de Jennifer Garner, da série televisa “Alias” em “Demolidor – O Homem sem Medo” (Elektra) e Famke Janssen (Jean Grey), Rebecca Romijn (Mística) e Halle Berry (Tempestade) nos filmes da série “X-Men”. Inclusive das quatro citadas, Berry foi a que se aventurou com algum sucesso pelo gênero em outros projetos. Foi uma bondgirl diferente do padrão antigo de parceiras de Bond em “007 – Um Novo Dia para Morrer” e estrelou o maior vexame da década, “Mulher-Gato”. Numa adaptação que guarda apenas o nome da personagem em semelhança com as HQ. 

Salt

Mesmo com as tentativas bem sucedidas de outras atrizes, Angelina Jolie se transformou na maior representante da força feminina nos filmes de ação. Longas como “Lara Croft Tomb Raider: A Origem da Vida”, “Capitão Sky e o Mundo de Amanhã”, os mega-sucessos “Sr. & Sra. Smith” e “O Procurado” e os suspenses policiais “O Colecionador de Ossos” e “Roubando Vidas” a consolidaram como estrela de ação. Um fato curioso em relação a Jolie e sua filmografia é que mesmo em filmes dramáticos, a atriz sempre interpreta mulheres com muita personalidade. Joan (“Corações Apaixonados”), Sarah Jordan (“Amor sem Fronteiras”), Olímpia (“Alexandre”), Marianne Pearl (“O Preço da Coragem”) e Christine Collins (“A Troca”) compartilham com Fox de “O Procurado” e Evelyn Salt de “Salt”, por exemplo, a força e determinação e o desejo em superar as adversidades.

Salt estréia nos cinemas nacionais próxima sexta-feira, 30 de julho.

Top 5 EUA – Avatar

A "pé frio" Nicole Kidman com Daniel Day-Lewis em "Nine"

Em sua segunda semana em cartaz “Avatar”, o revolucionário longa de James Cameron, continua no topo do box office norte-americano com 75 milhões de dólares arrecados no fim de semana.

A qualidade do filme, somado a aceitação da crítica e a propaganda “boca a boca” vem garantindo o sucesso comercial. A medalha de prata ficou com a estréia da semana “Sherlock Holmes”, com Robert Downey Jr. e Jude Law. Dirigido por Guy Ritchie, o filme dividiu a crítica, mas garantiu ao diretor a maior abertura de sua carreira, 65,38 milhões.  “Alvin e os Chipmunks 2″ e “Simplesmente Complicado” com Meryl Streep também debutaram com boas médias, 50,22 e 22, 11 milhões, respectivamente. O fracasso da semana ficou por conta de “Nine”, musical-superprodução de Rob Marshall (Chicago). Nem o elenco estelar – Daniel Day-Lewis, Nicole Kidman, Marion Cotillard, Penelope Cruz, Judi Dench, Sophia Loren e Kate Hudson – conseguiu salvar o longa do vexame, 5,54 milhões em três dias.

Quem continua rindo a toa é James Cameron, em duas semanas o ótimo “Avatar” fez ao redor do mundo 467,95 milhões.

Divulgação

1. Avatar – 75,00* – 212,26**

2. Sherlock Holmes – 65,38* – 65,38**

3. Alvin e os Chipmunks 2 (Alvin and the Chipmunks: The Squeakquel)  – 13,75* – 363,86*

4. Simplesmente Complicado (It’s Complicated) – 22,11* – 22,11**

5. Up in the Air – 11,75* – 24,51**

* Bilheteria do fim de semana

** Bilheteria total

Vistos e comentados …

Fotos: Divulgação

Fotos: Divulgação - Fox, Sony

Filmes, de ontem e hoje, assistidos por esses dias!

Alien – O Oitavo Passageiro” (“Alien“, EUA, 1979) De Ridley Scott. Com Sigourney Weaver, Tom Skeritt. 10/10. Suspense eletrizante, direção de arte competente, Scott arrasador na direção. Nasce uma heroína: Weaver.

Aliens – O Resgate” (“Aliens”, EUA, 1986) De James Cameron. Com Sigourney Weaver, Michael Biehn. 10/10. Cameron coloca sua marca na série “Alien” criando um dos melhores filmes de ação da história. Weaver, indicada ao Oscar, acrescenta a Ripley novas pinceladas de fúria e coragem.

Alien³” (EUA, 1992) De David Fincher. Com Sigourney Weaver, Charles S. Dutton. 8/10. Extremamente subestimado, a estréia de Fincher nos cinemas retoma o terror do primeiro filme. Destaque para o corajoso final e a atmosfera pessimista e claustrofóbica. Weaver emociona.

Alien: A Ressurreição” (“Alien: Ressurrection“, EUA, 1997) De Jean-Pierre Jeunet. Com Sigourney Weaver, Winona Ryder. 6/10. Filme irregular, destoa dos anteriores. Falta conteúdo e sobra forma. Destaque, mais uma vez, para Weaver.

Quase Igual aos Outros” (“Just One of the Guys”, EUA, 1985) De Lisa Gottlieb. Com Joyce Hycer, William Zabka. 7/10. Clássico da Sessão da Tarde, a comédia oitentista é descompromissada e, por isso mesmo, divertida e cativante. A sumida Joyce Hycer está longe de ser uma Hilary Swank – em “Meninos não Choram” – mas dá conta do recado nesse filme que tem sabor nostálgico. De infância!

Por hoje, é só!!!

Ele voltará!

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Sem lançar um filme novo desde 1997 com o multi-oscarizado (err.. e chato! hehe) “Titanic”, o diretor James Cameron retorna aos cinemas no final do ano com o esperado “Avatar“. Ficção científica estrelada por Sam Worthington (ótimo em “Terminator: Salvation”) e Sigourney Weaver. Cameron é um grande diretor e, apesar de “Titanic”, seu cinema é sempre fonte de renovação e adrenalina. Vide os dois primeiros “O Exterminador do Futuro” e “Aliens – O Resgate”.

“Avatar” tem estréia simultânea no Brasil e EUA em 18 de dezembro.