Televisão: Começou a derrocada de Maria de Fátima em Vale Tudo

Glória Pires foi premiada com o APCA como a melhor atriz de 1988 por seu desempenho em Vale Tudo. / Reprodução – Canal Viva

Novela entra em sua reta final  

Foi ao ar ontem pelo canal Viva o esperado capítulo 159 de Vale Tudo, em que a ardilosa vilã Maria de Fátima, interpretada com maestria por Glória Pires, foi surpreendida por seu marido Afonso (Cássio Gabus Mendes) na cama do amante César (Carlos Alberto Riccelli). Essa é apenas a ponta do iceberg do acerto de contas que todos os personagens que foram prejudicados terão com a alpinista social.

A glória

Envolta em uma teia de mentiras, Fátima pagou por subestimar Afonso e principalmente não se preocupar com pontas soltas deixadas em suas armações. Com o afiado texto de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leoner Basseres em mãos Glória Pires deita e rola na pele da oportunista mais famosa da dramaturgia nacional e para os próximos capítulos os telespectadores podem esperar por diversas sequências antológicas, entre elas um novo duelo moral com Raquel (Regina Duarte) e amoral com Odete Roitman (Beatriz Segall), a venda do próprio filho, ser presa e abandonada por César, a regeneração e finalmente o seu inusitado final que passa longe da obviedade padrão das telenovelas.

Perdeu o capítulo 159 de Vale Tudo? Assista aqui!

Confira outras grandes vilãs brasileiras inesquecíveis que foram odiadas, e também amadas, pelo público

Mulheres de Areia (1993), Celebridade (2003) e A Próxima Vítima (1995). / Divulgação – Rede Globo

Raquel Assunção (Glória Pires, Mulheres de Areia)

Ambiciosa, Raquel não suportava ser filha de um pescador e muito menos em ter uma irmã gêmea que era o retrato da bondade e da candura. Tudo a incomodava, inclusive o problemático Tonho da Lua (Marcos Frota), um dos muitos alvos de suas maldades. A partir de jogadas acertadas Raquel consegue roubar o noivo rico da irmã Ruth (Glória Pires) e casa-se com ele. Fã confessa de um bom uísque, Raquel sucumbe a própria ambição morrendo de forma trágica em um acidente de carro, mas antes disso infernizou a vida de muita gente. Eva Wilma interpretou a personagem em 1973, mas foi Glória Pires, em atuação premiada com o prêmio APCA de melhor atriz, quem imortalizou a debochada “gêmea má” no remake produzido em 1993 e que até hoje é uma das novelas de maior sucesso da Rede Globo.

Isabela Ferreto (Cláudia Ohana, A Próxima Vítima)

Cláudia Ohana fez todos esquecerem a carismática vampira Natasha ao encarnar com maestria a ordinária Isabela em A Próxima Vítima. Biscateira de carteirinha, a vilã mantinha um caso com o marido da tia mesmo sendo noiva. Mentiu e matou para conseguir ocultar suas armações. Nada adiantou, apanhou, foi humilhada e até o rosto desfigurado teve pelo então marido Marcelo (José Wilker) que a flagrou na cozinha com o amante Bruno (Alexandre Borges), gigolô de uma de suas tias. A bambina, como era chamada pela tia Filomena (Aracy Balabanian) acabou seus dias na cadeia. Coitada. Um dos melhores trabalhos de Ohana.

Laura “Cachorra” Prudente da Costa (Claudia Abreu, Celebridade)

Vingativa, Laura queria tudo que pertencia a Maria Clara Diniz (Malu Mader). Para conseguir êxito fez as maiores armações para se aproximar dela. Quando conseguiu a confiança de sua rival, Laura puxou seu tapete roubando tudo que era dela. Após levar uma histórica surra em um banheiro, a casa da Cachorra – forma carinhosa como era chamada pelo parceiro de armações o michê Marcos (Márcio Garcia) – começou a cair. Foi assassinada pelo outro vilão da trama, Renato Mendes (Fábio Assunção) com um tiro a queima roupa. Uma das vilãs mais amadas dos anos 2000, a criação de Gilberto Braga possibilitou a Claudia Abreu se desvencilhar da imagem de boa moça e entregar ao público uma de suas melhores atuações.

Flora Pereira (Patrícia Pillar, A Favorita)

De inocente, presa injustamente que queria reconquistar o amor da filha, Flora se revelou uma serial killer desequilibrada. O amor e a inveja que nutria pela antiga parceira musical Donatela (Cláudia Raia) a levou a cometer atos criminosos e cruéis. Como o falso sequestro da própria filha, Lara (Mariana Ximenes) e o assassinato do empresário Gonçalo (Mauro Mendonça). Seguindo a cartilha das vilãs televisivas, a impiedosa personagem construída de forma genial por Patrícia Pillar voltou para cadeia para pagar pelos crimes cometidos. Premiada com o APCA como melhor atriz, Pillar, uma atriz notoriamente conhecida por papéis de mulheres lutadoras como a boia-fria Luana de O Rei do Gado e a médica Cris do seriado Mulher, compôs uma das vilãs mais carismáticas que o público já viu. Eternizando momentos e frases clássicas, como “eu sou uma assassina, lembra” e “é uma anta histórica”, forma carinhosa como se referia a Dona Irene (Glória Menezes).

A Favorita (2008), Selva de Pedra (1972) e Senhora do Destino (2004)

Nazaré Tedesco (Renata Sorrah, Senhora do Destino)

Além de Vale Tudo, o outro maior momento de Renata Sorrah na televisão foi em Senhora do Destino, onde a atriz viveu a raposa felpuda Nazaré. Ex- prostituta, a vilã roubou a filha da esquecível Maria do Carmo (Susana Vieira em atuação constrangedora) e a criou como se fora sua. Tudo isso para conseguir se casar com o homem com quem mantinha um caso. Após matar alguns personagens usando como arma a escada de sua casa e de ter ameaçado outros tantos com sua famosa tesoura, Nazaré teve outro fim clichê: cometeu suicídio. Sorrah, uma atriz que dispensa apresentações, fez da novela seu palco.

Fernanda (Dina Sfat, Selva de Pedra)

Em 1972 a saudosa e inesquecível Dina Sfat interpretou a obcecada empresária Fernanda em Selva de Pedra, clássico da autora Janete Clair. Após ser abandonada no altar por Cristiano (Francisco Cuoco) no dia de seu casamento, a vilã jura vingança e decide destruir a vida de quem a humilhou. Na mesma proporção que o ódio de Fernanda cresce, ela perde sua sanidade. Culminando no sequestro da rival Simone (Regina Duarte), que sofre tortura psicológica ao ser mantida presa em uma casa abandonada. Com uma atuação brilhante, como de costume, Dina levou o APCA como melhor atriz daquele ano. Merecido!

Menção honrosa: Paula Novaes (Alessandra Negrini, Anjo Mau), Violante (Drica Moraes, Xica da Silva), Bia Falcão (Fernanda Montenegro, Belíssima), Bárbara Campos Sodré (Giovanna Antonelli, Da Cor do Pecado), Cristina (Flávia Alessandra, Alma Gêmea), Laurinha Figueroa (Glória Menezes, Rainha da Sucata), Idalina (Nathália Timberg, Força de Um Desejo), Odete Roitman (Beatriz Segall, Vale Tudo), Perpétua (Joana Fomm, Tieta)

Vale Tudo é exibida de segunda a sexta em dois horários: 00h45 e 12h – Canal Viva – 37 (Sky)

Anúncios

Publicado por

Ramon Dutra

Jornalista

3 comentários em “Televisão: Começou a derrocada de Maria de Fátima em Vale Tudo”

  1. Finalmente um post pra mim, kkkkkk, adoro todas essas vilãs divas da televisão, elas arrasam e sem elas, não teria graça acompanhar uma novela. Embora existam tramas que se sustentam sem uma grande vilã, Renascer, Cabocla, por exemplo, as mais emocionantes são as que trazem uma grande antagonista. Poderia ter citado , com caráter secundário, a gêmea má segunda Thais Grimaldi, a impagável Maria Altiva Pedreira de Mendonça e Albuquerque, a venenosa Adma Guerreiro, entre outras dessas musas que fazem o Brasil amá-las ou odiá-las

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s