Mamãezinha Querida: A maldição de Joan Crawford

Divulgação

Uma das mais controversas estrelas da era de ouro de Hollywood, Joan Crawford foi o maior ícone da Metro-Goldwyn-Mayer na década de 30. Em 1945 se transferiu para a Warner Bros., casa de sua maior rival Bette DavisLá protagonizou Almas em Suplício, adaptação do livro Mildred Pierce, que rendeu a Crawford seu primeiro e único Oscar de melhor atriz. Ela seria indicada por outras duas oportunidades pelos longas Fogueira de Paixões e Princípios da Alma (RKO), em 1947 e 52 respectivamente. Em 1962 o diretor Robert Aldrich conseguiu o inimaginável, juntar as rivais Davis e Crawford em um mesmo filme: o thriller psicológico O Que Terá Acontecido a Baby Jane?. Sucesso de crítica, o aclamado longa foi indicado a cinco prêmios Oscar – venceu na categoria figurino, incluindo melhor atriz para Bette. Fato que deixou a temperamental Joan, esnobada pela Academia, revoltada.

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Joan e Christina: momento íntimo / Foto: Life

Após a morte de Joan Crawford em 10 de maio de 1977, sua filha Christina – a primeira das quatro crianças adotadas pela estrela, lançou o polêmico livro Mamãezinha Querida (Mommie Dearest) revelando os bastidores de sua tumultuada relação com a famosa mãe. Joan Crawford fora revelada como uma mulher descontrolada, abusiva e que se refugiava dos problemas no álcool e nas agressões a seus filhos, principalmente a primogênita. Grande sucesso de vendas, o livro não demorou a chamar a atenção dos executivos de Hollywood. No final da década de 70 o diretor Frank Perry (indicado ao Oscar por David and Lisa, de 1962) começou a desenvolver o projeto tendo em mente para o papel de Joan, Anne Bancroft. A atriz chegou a se comprometer mas abandonou o longa antes que o roteiro estivesse finalizado.

Ela é a única que têm talento para ser uma grande estrela!

– Joan Crawford sobre Faye Dunaway

Foto clássica: Faye Dunaway com o Oscar conquistado por Rede de Intrigas no Beverly Hills Hotel na manhã seguinte a premiação / Divulgação

Consagrada em 1977 com o Oscar de melhor atriz pelo clássico Rede de Intrigas, Faye Dunaway, uma das maiores atrizes norte-americanas das décadas de 60 e 70. Estrela de produções inesquecíveis como Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas, Chinatown – indicada ao Oscar de melhor atriz pelos dois filmes, Crow, O Magnífico e Três Dias do Condor, aceitou o desafio de viver Joan Crawford na polêmica adaptação. Certa de que venceria o Oscar por sua interpretação, Faye ficou devastada ao ter seu trabalho destruído pelos críticos que a classificaram e o filme como exagerado e de mau gosto. Revisto atualmente, Mamãezinha Querida (Mommie Dearest, EUA, 1981) não é ruim como sua reputação faz parecer. O longa começa de forma satisfatória mostrando a obsessão pela imagem e por limpeza de Joan, indicando uma personalidade compulsiva. Dunaway não decepciona, se entregando a personagem e saindo-se bem. O problema é que assim que a história se desenvolve, o tom melodramático se intensifica e com isso a atriz cai numa armadilha sem volta: o exagero. Transformando Joan em uma caricatura, uma espécie de vilã de novela mexicana, histérica ao extremo.

Rede de Intrigas e Mamãezinha Querida: Respectivamente consagração e declínio de uma carreira / Fotos – Fox/Paramount

Considerado por cinéfilos como um guilty pleasure, o fracasso artístico de Mamãezinha Querida deixou sequelas graves na carreira de sua protagonista Faye Dunaway, que até hoje não gosta de falar sobre o filme. Desde o Oscar por sua fantástica atuação em Rede de Intrigas a carreira da atriz vinha perdendo fôlego com produções irregulares como os suspenses Os Olhos de Laura Mars e O Primeiro Pecado, e o drama O Campeão com Jon Voight. A situação piorou após viver uma aterrorizante Joan Crawford. Sob a carreira de Dunaway se abateu uma espécie de “maldição”. Durante toda a década de 80 Dunaway teve apenas um sucesso de crítica, o drama de Barbet Schroeder Barfly – Condenados pelo Vício. Pelo qual recebeu uma indicação ao Globo de Ouro como melhor atriz dramática. Produções como Supergirl – famigerada adaptação das aventuras da heroína da DC Comics, e o nada visto telefilme As Damas de Beverly Hills foram grandes fiascos.

Os anos 90 e a oportunidade perdida

O ostracismo profissional e os papéis rasos em filmes medíocres continuaram nas décadas seguintes, excetuando participações nos longas Don Juan DeMarco com Johnny Depp e Marlon BrandoGia – Fama e Destruição com Angelina Jolie – e que rendeu a Faye o Globo de Ouro como atriz coadjuvante, e Caminho sem Volta, de James Gray. Após anos sem grandes ofertas de personagens, Faye Dunaway jogou fora o que poderia ser a melhor oportunidade de sua carreira: o papel principal em Réquiem para Um Sonho, do então novato diretor Darren Aronofsky. Que posteriormente dirigiria os sucessos O Lutador e Cisne Negro. Ellen Burstyn assumiu a personagem, sendo aclamada pela crítica e indicada a todos os prêmios da temporada, incluindo o Oscar.

Atualmente relegada a pequenas participações em séries de televisão como CSI: Crime Scene Investigation e Grey’s Anatomy, Faye Dunaway sucumbiu ao seu temperamento difícil, escolhas equivocadas e em não saber envelhecer com sabedoria. Tornando-se uma caricatura da bela mulher que fora na juventude ao se submeter ao excesso de intervenções cirúrgicas. Logicamente que a “maldição de Joan Crawford” é apenas uma lenda urbana de Hollywood. A decadência artística de Faye Dunaway possui apenas uma responsável, a própria atriz. Que parou no tempo e não soube se reinventar como fez sua contemporânea e ainda grande estrela Jane Fonda.

Filmografia básica de Faye Dunaway

Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas (1967) / Crown, O Magnífico (1968) / Chinatown (1974) / Inferno na Torre (1974) / Rede de Intrigas (1976) / Os Olhos de Laura Mars (1978) / O Campeão (1979) / Mamãezinha Querida (1981) / Barfly – Condenados pelo Vício (1987) / Don Juan DeMarco (1994) / Gia – Fama e Destruição (1998) / Joana D’Arc de Luc Besson (1999) / Caminho sem Volta (2000)

Leia também – Por onde anda?: Faye Dunaway e o elenco de Mamãezinha Querida

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Publicado por

Ramon Dutra

Jornalista

7 thoughts on “Mamãezinha Querida: A maldição de Joan Crawford”

  1. Pela Santa Tieta do agreste!
    Uma noite comigo e essa atriz voltaria outra.
    Iria ensinar os truques de bitch pra ela nunca mais precisar fazer filmes e ficar estressada.

    Agora vou deitar porque dei all night e estou cansadérrima.

    Kisses da Luh.

  2. Faye jamais deveria se envergonhar por um trabalho tão belo e emocionante como Mamãezinha Querida. Quem achou a sua interpretação exagerada ou melodramática é porque nunca conviveu com pessoas com sérios distúrbios de comportamento, principalmente agravados pelo alcoolismo. Foi muito fiel à realidade.

  3. Que insjustiça , o filme mama~ezinha querida é ótimo e a Faye da um show , povo invejoso, odeio estes críticos de merda que acham q sabem tudo, quem tem que criticar são pessoas comuns como eu e não estes abutres

  4. Eu gostei e “Mamãe Querida”, bom filme, bom roteiro e bela interpretação da Faye Dunaway , excelente roteiro. A crítica sempre tem algo para falar.

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