Especial Malévola: As diferentes versões de A Bela Adormecida

Era uma vez…

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No conto Sole, Luna, e Talia, do italiano Giambattista Basile, a princesa Talia cai num sono profundo – fruto de uma maldição – ao ficar com um pedaço de linho encravado debaixo da unha. Um rei encontra o castelo abandonado, e ao ver a bela princesa se apaixona e a possui. Nove meses depois, Talia acorda e dá a luz a dois filhos do rei – Sol e Lua. Deixando a esposa dele furiosa, e disposta a matar a princesa num incêndio. Por obra do destino, a rainha acaba morrendo no fogo preparado para Talia, que termina o conto feliz para sempre, ao lado do rei e filhos. Essa história fora publicada em 1634, na coletânea Pentamerone, e serviu de inspiração para o francês Charles Perrault escrever A Bela Adormecida no Bosque, no livro Contos da Mãe Ganso, em 1697.

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Malévola na animação de 1959 / Reprodução – Disney

Na versão de Perrault, a princesa em seu batismo é amaldiçoada por uma fada má – Carabosse – que não fora convidada para a festa – já que o rei tinha apenas sete pratos de ouro. Ao picar o dedo num fuso ao atingir a idade adulta, a princesa morreria. A sétima fada suavizou a maldição, com a substituição da morte por um sono de 100 anos. Após esse período, a princesa é acordada por um príncipe, se apaixonam e casam. Da união nascem duas crianças, Aurora e Dia. Quando o príncipe sai numa caçada, ele precisa contar a sua mãe ciumenta – uma descendente dos canibais Ogres, que constituiu família. A rainha-mãe trama a morte de nora e netos, mas é enganada por um cozinheiro. Por fim, com a volta do filho – que descobre as tramas da mãe, ela se suicida num poço repleto de répteis. Armadilha construída para tirar a vida da princesa.

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Angelina Jolie estrela a esperada produção / Foto – Disney

As duas versões serviram de base para Bela Adormecidados Irmãos Grimm. Publicada em 1812 na obra Contos de Grimm, a história apresenta a mesma trama da maldição, com a diferença que em sua versão, são 12 fadas convidados, e não sete. Após ser acordada com um beijo dado pelo príncipe, ele e Bela vivem felizes para sempre. Em 1890, Tchaikovsk adaptou para o balé o conto, utilizando como inspiração a versão de Perrault, batizando a princesa com o nome Aurora – que nas outras versões era o da filha. Posteriormente, essa adaptação serviria de inspiração – ao lado da versão dos Irmãos Grimm, para a animação lançada pela Disney em 1959. No clássico A Bela Adormecida, houve uma redução de 12 para três fadas madrinhas. A fadá má Carabosse se transformou na cruel – e carismática – Malévola (Maleficent), que se autoproclama “Mistress of All Evil”. Na versão Disney, Aurora e o príncipe Philip se conhecem e apaixonam num bosque, no 16º aniversário da garota. O príncipe enfrenta Malévola –  transformada num dragão – para salvar a princesa, presa na torre do reino, envolto por espinhos. No fim, o casal vive feliz para sempre. A versão animada sempre deixou peguntas sem resposta, que serão dadas em Malévola. Versão que traz o ponto de vista da fada má, interpretada pela estrela Angelina Jolie.

As encarnações mais famosas

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Uma versão atual encenada em Paris / Foto: Divulgação

La belle au bois dormant (1825)

Ópera de Michele Charata, constituída por três atos, e adaptação de François-Antonine-Eugène de Planard. Estreou em dois de março de 1825, na Ópera Nacional de Paris. O tenor francês Adolphe Nourrit interpretou o Príncipe nessa versão.

The Sleeping Beauty (1890)

Bem sucedida versão de Tchaivosk em forma de balé para o famoso conto. Fora apresentado pela primeira vez em 1890 no Teatro Marrinsky, em São Petersburgo. Carlotta Brianza interpretou Aurora, sendo substituída por Lyubov Roslavleva em 1899, com a fada má Carabosse, interpretada pelo dançarino italiano Enrico Cecchetti na obra original.

A Bela Adormecida (1959)

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O clássico Disney / Foto: Disney

Clássica e mais famosa adaptação do conto – tendo como inspiração as versões de Charles Perrault, Tchaikovsky e Irmãos Grimm, chegou aos cinemas em 29 de janeiro de 1959. Sendo um fenômeno de bilheteria para época – uma arrecadação de 51 milhões de dólares. Com direção de um quarteto – Clyde  Geromini, Les Clark, Eric Larson e Wolfgang Reitherman, a animação transformou Carabosse na icônica Malévola. Que com enorme carisma, roubou a cena de Aurora, sendo considerada a antagonista mais famosa dentre todas as animações Disney. Eleanor Audley e Heloísa Helena interpretaram de forma marcante Malévola, nas versões norte-americana e brasileira respectivamente.

Beleza Adormecida (2011)

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Nossa Distribuidora / Vinny Filmes

Com direção de Julia Leigh, o filme australiano traz a atriz Emily Browning como uma jovem que presta serviços eróticos a homens, sob o efeito de remédios para dormir. A produção estreou em competição no Festival de Cannes, em 2011. Tendo divido os críticos, e com uma bilheteria de poucos mais de 36 milhões de dólares nos EUA.

Malévola (2014)

Disney

Angelina Jolie vive a vilã – anti-heroína? – mais famosa temida e amada dos estúdios Disney, na adaptação dirigida por Robert Stromberg. A trama acompanha as motivações de Malévola, e o que levaram a fada a se torna má e amaldiçoar Aurora. Com visual impressionante, a produção de US$ 180 milhões chega aos cinemas brasileiros em 29 de maio. Elle Fanning interpreta a princesa, com Imelda Statum, Juno Temple e Lesley Mansville como as fadas madrinhas.

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Publicado por

Ramon Dutra

Jornalista

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