Mulher-Maravilha: O desafio de transpor a personagem para as telonas

+ E porque Demi Moore era a atriz certa para viver a heroína nos anos 90

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Fotos – DC Comics / Warner

A estrela de Ghost – Do Outro Lado da Vida seria a perfeita Mulher-Maravilha há 20 anos. Muito próxima da versão que na época era publicada no Brasil pela editora Abril, escrita por William Messner-Loebs com arte do brasileiro Mike Deodato, na HQ Shazam!. Foi nessa fase que comecei de fato a ler as aventuras da heroína, imaginando uma versão para os cinemas com DEMI MOORE. Na época no auge da forma física por conta das filmagens de Striptease e Até o Limite da Honra. Antes de voltar aos anos 90 é bom relembrar a jornada homérica para tirar a princesa Diana dos quadrinhos e levá-la aos cinemas.

Há pouco mais de um mês para o lançamento do muito aguardado BATMAN VS SUPERMAN: A ORIGEM DA JUSTIÇA (Batman v Superman: Dawn of Justice), finalmente veremos juntos os três maiores heróis das HQ: Batman, Superman e Mulher-Maravilha – que faz sua estreia na tela grande. Criada em 1941 por William Moulton Marston, a heroína da DC Comics é interpretada por GAL GADOT. Escalação que causou polêmica, em parte dissipada pela ótima presença da atriz nos trailers de Batman vs Superman e imagens do vindouro MULHER MARAVILHA (Wonder Woman). O filme solo da personagem agendado para junho de 2017.

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Mulher-Maravilha em Batman vs Superman / Warner

Com direção de Patty Jenkins (Monster: Desejo Assassino), Mulher Maravilha chegará às telas após mais de duas décadas de incertezas em seu desenvolvimento. Em 1996, na esteira do sucesso dos filmes do Batman, a Warner tentava surfar na onda do homem-morcego com outros dois de seus heróis: Superman, com uma adaptação de Tim Burton que por sorte nunca saiu do papel, e Mulher-Maravilha. Ivan Reitman (Os Caça-Fantasmas) foi o escolhido para produzir e dirigir a aventura da amazona. Não foi adiante. Sendo substituído em 1999 pelo produtor Joel Silver, com roteiro de Joe Cohen e Sandra Bullock em negociações para interpretar Diana.

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Catherine Zeta-Jones e Sandra Bullock recusaram Mulher-Maravilha, enquanto Angelina Jolie serviu de inspiração para a versão de Joss Whedon e Jessica Biel não quis ser a heroína no filme da Liga da Justiça / Fotos – Divulgação

Essa versão do início dos anos 2000 foi uma das inúmeras do projeto, que passou pelas mãos de outros roteiristas como Todd Alcott, Laeta Kalogridis e Joss Whedon. O diretor de Os Vingadores foi quem mais chegou perto de tirar o filme do papel. Em 2005 ele trabalhava em um roteiro que mostraria a Mulher-Maravilha como uma humanitária que viaja pelo mundo. Segundo o diretor, inspirada em Angelina Jolie. Em meio a um mar de especulações, a atriz chegou a ter seu nome ligado ao filme. Assim como Catherine Zeta-Jones e a lutadora Chyna no fim dos anos 90, e Morena Baccarin durante o envolvimento de Whedon, que durou até 2007 quando seu roteiro foi engavetado. Beyoncé e Mariah Carey demonstraram interesse em usar o laço da verdade, assim como Christina Hendricks, em projeto a ser dirigido por Nicolas Winding Refn (Drive). Não era a direção que a Warner/DC queria seguir.

Megan Gale e Adrianne Palicki / Fotos – Warner

Dessa época de incertezas até chegar a Mulher-Maravilha de Gal Gadot – que derrotou em testes finais Olga Kurylenko (007 – Quantum of Solace) e Elodie Yung (Elektra no Ano 2 da série Demolidor), a heroína esteve em mais três produções que não deram certo. Na televisão Adrianne Palicki viveu em 2011 a amazona na série que não passou do episódio piloto. A reação foi tão ruim que sequer foi ao ar. Enquanto Amazon, sobre a origem da Mulher-Maravilha, foi deixado de lado ainda nos estágios iniciais. O terceiro projeto foi nos cinemas: Liga da Justiça: Mortal, o cancelado filme que seria dirigido por George Miller (Mad Max) em 2007. Nele, Megan Gale interpretaria a heroína.

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Moore em Até o Limite da Honra, um bom filme de ação dirigido por Ridley Scott em 1997 / Disney

Uma pena que há 20 anos Demi Moore sequer foi ligada a personagem, no período em que Ivan Reitman desenvolvia o filme da heroína. A atriz na época era uma das mais populares de Hollywood. Além, logicamente, de ser muito parecida com a Mulher-Maravilha, seja na versão com traços de Mike Deodato ou na clássica de John Byrne. Talvez o que tenha pesado contra Demi – além do pouco investimento nos filmes de ação protagonizados por mulheres nos anos 90, tenha sido o fracasso de Striptease, lançado justamente em 1996. A oportunidade passou. Não vimos naquela década os filmes da heroína com Moore – de preferência sob a direção de James Cameron, sonhar é de graça – ou Lucy Lawless, uma favorita dos fãs. Olhando pelo lado positivo, ao menos ficamos livres de um abacaxi do tamanho de Batman & Robin. Caso o filme não saísse da forma certa, como aconteceu mais tarde com Mulher-Gato e Elektra.

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Lynda Carter e Gal Gadot / Fotos – Warner

Gal Gadot tem a missão e honra de interpretar a maior heroína dos quadrinhos. Uma personagem que esperou 75 anos para chegar aos cinemas. O momento não poderia ser melhor. Da década de 90 para cá tivemos uma representatividade maior de mulheres a frente dos filmes e series de ação. Lá atrás eram apenas Sigourney Weaver e Linda Hamilton, hoje as boas investidas de Angelina Jolie, Milla Jovovich, Jennifer Lawrence e Charlize Theron, por exemplo, provaram que filmes com heroínas, se bem feitos, podem agradar a audiência. Não importando o gênero desse público.

Batman vs Superman: A Origem da Justiça estreia em 24 de março nos cinemas brasileiros.

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Publicado por

Ramon Dutra

Jornalista

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