Feud: Jessica Lange & Kim Basinger – Uma rivalidade velada

Fotos – El Pais / Universal Pictures

Atualmente interpretando Joan Crawford na série Feud – que mostra a rivalidade de Joan e Bette Davis, e as duas sendo manipuladas por imprensa e executivos de Hollywood -, Jessica Lange teve fora das telas uma disputa com Kim Basinger que marcou os anos 70 e 80. Lange trabalhava como modelo em Nova York quando conseguiu sua primeira oportunidade nos cinemas, a aventura King Kong (1976). Produzido por Dino De Laurentiis, o filme atraiu a atenção de diversas jovens atrizes, entre elas Kim Basinger. Modelo da Ford Models, Basinger sempre teve o sonho de ser uma estrela de cinema. Fez teste para Kong e perdeu o papel para Jessica. Foi sua primeira decepção profissional.

Jessica e Kim no anos 70 / Divulgação

O caminho das duas loiras voltaria a se cruzar em 1980, na disputa pela protagonista de O Destino Bate à Sua Porta. Lange novamente levou a melhor, ficando com a personagem Cora, que fora de Lana Turner na versão lançada em 1946. O filme foi bem recebido pela crítica. Assim como a atuação de Jessica, abrindo portas para novos e promissores projetos. No mesmo ano, Kim não teve a mesma sorte, atuando apenas no terror Morte Suspeita. Nessa época estiveram envolvidas em outro projeto, Gigolô Americano. Jessica recusou, enquanto Kim perdeu o papel que ficou com Lauren Hutton.

Lange em O Destino Bate à Sua Porta e Basinger no telefilme Morte Suspeita – Warner

Frances, biografia da atriz Frances Farmer, era um dos projetos mais disputados no início do anos 80. Diane Keaton e Goldie Hawn estiveram muito perto, mas quem ficou com o papel foi Jessica Lange. Derrotando as duas já estabelecidas estrelas e também, novamente, Kim Basinger, que chegou a realizar testes de cena com o ator Sam Shepard. Lange entregou uma atuação memorável, indicada ao Oscar de melhor atriz.

Perdeu o principal para Meryl Streep por A Escolha de Sofia, ficando com a estatueta de coadjuvante por Tootsie. Enquanto isso, Kim trabalhava em outro projeto pouco interessante, a aventura A Montanha do Ouro.

Frances e 007 – Nunca Mais Outra Vez – Universal Pictures / MGM

Os trabalhos seguintes de Jessica continuaram a manter a carreira em alta, com novas nomeações ao Oscar por Minha Terra, Minha Vida e Um Sonho, Uma Lenda. Já Kim começou a ver a carreira ascender após ser bond girl em 007 – Nunca Mais Outra Vez – filme fora da cronologia oficial -, capa da Playboy em 1983, e atuações elogiadas em Meus Problemas com as Mulheres e Um Homem Fora de Série – sendo indicada ao Globo de Ouro. Em 84, Robert Altman se preparava para dirigir Sam Shepard na adaptação da peça do ator, Louco de Amor. Lange faria par com Shepard, seu namorado, mas teve que abandonar a produção por estar grávida. Kim ficou com o papel, gerando o único e direto confronto divulgado entre as atrizes.

O casal Lange e Shepard, Kim em Louco de Amor e na capa da revista SET – Vanity Fair / MGM / Reprodução

Segundo reportagem da extinta revista SET de setembro de 1992: “…no dia da gravação mais difícil, Lange instalou-se com seu barrigão no set, cruzou as pernas e braços e olhou desafiadora para Kim Basinger. Altman disse que ela não era obrigada a fazer a cena com Lange ali. Mas Basinger precisava exorcizar isso de uma vez por todas. Tremeu mas fez, conquistando para sempre a admiração de Altman, enquanto Shepard e Lange faziam ceninhas”.

Jessica no drama Muito Mais Que Um Crime e Kim como Vicki Vale em Batman – StudioCanal / Warner

Com Louco de Amor Kim ganhou também elogios da crítica, que comparou sua atuação a Marilyn Monroe em Os Desajustados.

Depois desse episódio, o caminho das duas estrelas se cruzaria apenas por outras duas oportunidades, e em projetos que ambas acabaram não fazendo. Kim chegou a ser escolhida por Woody Allen para protagonizar Hannah e Suas Irmãs, largando o projeto para fazer 9 1/2 Semanas de Amor – filme que a transformou na maior musa dos anos 80 -, enquanto Jessica foi considerada para o papel que acabou ficando com Mia Farrow, esposa de Allen e sua habitual colaboradora. O outro trabalho foi Thelma & Louise, em que Jessica e Kim foram pensadas para os papéis que ficaram respectivamente com Geena Davis e Susan Sarandon.

Céu Azul e Los Angeles: Cidade Proibida – MGM / Warner

Nos anos que seguiram, as loiras viveram altos e baixos na carreira. Após um início de anos 90 morno, Jessica Lange reencontrou o sucesso em 1994 com seu segundo Oscar, agora de melhor atriz, por Céu Azul.

Kim Basinger nessa época surfava no sucesso de Batman, mas se viu no meio de uma série de fracassos de bilheteria, e a falência pela quebra de contrato verbal por recusar atuar em Encaixotando Helena. A volta por cima viria em 1997 com Los Angeles: Cidade Proibida, que rendeu a atriz o prêmio da Academia de melhor atriz coadjuvante.

Fotos – Divulgação

A boa fase de Lange não durou muito na década de 90 – mesmo que tenha tido atuações elogiadas em Um Bonde Chamado Desejo e Terras Perdidas –, voltando a projetos de repercussão apenas nos anos 2000. Na televisão, com Grey Gardens e em parceria com Ryan Murphy, com trabalhos premiados na série American Horror Story – que rendeu a atriz dois prêmios Emmy -, na atual Feud: Bette and Joan, e no teatro, vencendo o Tony de melhor atriz pela montagem de Longa Jornada Noite Adentro.

Lange como Joan Crawford na série Feud e Basinger em Cinquenta Tons Mais Escuros – Fox / Universal

Sem ir para a televisão, Kim tem poucos trabalhos relevantes no pós-Oscar. Merecem destaque África dos Meus SonhosProvocação – talvez sua melhor atuação – e Dois Caras Legais. Neste ano a atriz teve uma participação esquecível no péssimo Cinquenta Tons Mais Escuros. Com exceção dos bastidores de Louco de Amor, as disputas de Basinger e Lange ficaram apenas no campo profissional. Disputas muito comuns até hoje, não apenas em Hollywood, mas no mercado de trabalho em geral.

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Publicado por

Ramon Dutra

Jornalista

  1. Ah! Ramon Dutra me deliciei com esta matéria. E esta capa da revista SET já possui ela. Se não engano Kim Basinger foi capa desta revista em Setembro de 1992. A matéria falando sobre sua vida e carreira era muito boa. Em relação a rivalidade velada e pouco comentada na época, mostra que Jéssica Lange tinha um temperamento difícil, uma personalidade mais forte. Já Kim Basinger sempre foi tida como uma atriz mais doce e simpática. Diante da rivalidade quem ganhou foi nós ver duas deusas do cinema atuando. Gosto das duas, embora, arraste mais asas para Basinger.
    Boas atrizes!

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