Nostalgia: Almas Mortas com Joan Crawford

Em 1962 o inesperado sucesso de O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, que reuniu as rivais Bette Davis e Joan Crawford, deu o pontapé inicial para uma série de thrillers protagonizados por atrizes experientes, os chamados psycho-biddy. Também conhecidos como grande dame guigol, hagsploition e hag horror, eram filmes que colocavam suas protagonistas, estrelas glamourosas de Hollywood, em situações de horror psicológico, perigosas e mentalmente instáveis. Esse subgênero foi ativo até meados dos anos 70, mesmo que produções posteriores como o cult Mamãezinha Querida, controversa biografia de Crawford, e Réquiem para Um Sonho tragam elementos dos psycho-biddy.

Joan é o grande destaque do filme

Dois anos depois Joan Crawford voltou ao gênero com Strait-Jacket, no Brasil Almas Mortas, sob a direção de William Castle, cultuado diretor de filmes de terror e que produziu O Bebê de Rosemary. Escrito por Robert Bloch (Psicose), no filme Crawford é Lucy Harbin, mulher que ficou 20 anos internada numa instituição psiquiátrica após esquartejar o marido (Lee Majors) e amante, na frente da filha de três anos (Diane Baker/Vicki Cos), ao flagrá-los em sua cama. Duas décadas depois, Lucy volta ao convívio da sociedade, tentando recuperar o carinho da filha e curar as feridas psicológicas. Instável, ela apresenta comportamento dúbio, que leva todos a suspeitarem de sua sanidade quando novos assassinatos começam a acontecer ao seu redor. O grande trunfo do longa é certamente a atuação de Joan. Merecem destaque também o clima de suspense criado por Castle, e as reviravoltas do roteiro, em especial o prólogo e último ato.

Fotos – Sony Pictures

Inicialmente Almas Mortas seria protagonizado por Joan Blondell (Ainda Há Sol em Minha Vida). A atriz sofreu um acidente, sendo substituída por Joan Crawford, que recebeu um salário de 50 mil dólares e 15% dos lucros em bilheteria. A entrada de Crawford no projeto acarretou em mudanças no roteiro, que foi reescrito seguindo as exigências da atriz, além da decisão final sobre o elenco. Incluindo as demissões de Leslie Parrish e Anne Helm. Ambas passaram pelo papel de Carol, mas não agradaram Joan, que aprovou Diane Baker. Ela havia atuado em 1959 com a veterana no filme Sob o Signo do Sexo. Para promover Almas Mortas, Joan concordou em sair em turnê por cidades dos EUA, ao lado de William Castle. Muito dos bastidores pode ser visto no episódio Hagsploitation da série Feud: Bette and Joan, em que Jessica Lange interpretou com maestria Crawford.

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Publicado por

Ramon Dutra

Jornalista

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