Aniversariante do dia: Angelina Jolie

Foto – Guerlain

Musa máxima do cinema, Angelina Jolie comemora hoje 42 anos. Cada vez mais afastada da atuação, a estrela prioriza seu trabalho humanitário e paixão pela direção, iniciada em 2007 com o documentário A Place in Time. Nesses dez anos, Jolie dirigiu quatro longas-metragens – sendo Invencível seu maior sucesso comercial, com 163 milhões arrecadados e três indicações ao Oscar -, e First They Killed My Father o mais recente, com estreia marcada para setembro na Netflix. Filha dos atores Jon Voight, de Perdidos na Noite e Amargo Regresso, e Marcheline Bertrand, Angelina estreou no cinema aos sete anos, ao lado do pai, na comédia Lookin’ to Get Out. Chamou atenção de crítica e público no final dos anos 90, com atuações arrebatadoras e premiadas em Gia – Fama e Destruição e Garota, Interrompida, pelo qual recebeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2000. Continuar lendo Aniversariante do dia: Angelina Jolie

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Perfil: Angelina Jolie – Parte 2

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Foto: Jason Bell

ANGELINA JOLIE, a maior estrela internacional do cinema, comemora hoje 40 anos. Além de atriz e ícone de gerações, Jolie é também Embaixadora do Alto Comissariado da ONU e modelo de mulher forte e determinada no século 21. Em 2010 Angelina – minha atriz favorita há 15 anos – estrelou a sessão Perfil do Cinema na Panela, que neste ano ganha sua segunda parte em homenagem ao aniversário da musa.

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Cena em destaque: A força de Christine Collins em A Troca

Christine Collins:

“Três meninos tentaram escapar naquela noite, detetive, e se um menino escapou, então talvez um ou mesmo os outros dois também. Talvez Walter esteja aí fora em algum lugar com medo de dizer a verdade como ele, com medo de vir para casa, de se identificar e se meter em problemas. Mas uma coisa eu sei… o menino me deu algo que não tinha antes.”

Detetive Ybarra:

“O que é?”

Christine Collins:

“Esperança.”

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Clint Eastwood entrevista Angelina Jolie na edição de dezembro da revista Interview

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A estrela Angelina Jolie e o diretor Clint Eastwood se encontraram profissionalmente pela primeira vez em 2007, durante as filmagens do drama de época A Troca. A elegante produção agradou a crítica internacional, foi um sucesso em sua exibição no Festival de Cannes em 2008, arrecadou em sua bilheteria internacional US$ 113,02 milhões de dólares e recebeu indicações aos principais prêmios daquele ano. Entre eles, três ao Oscar: atriz para  Jolie, direção de arte e fotografia. Além do êxito, o filme rendeu aos artistas uma sólida amizade.

Atualmente, ambos estão promovendo seus novos filmes. Eastwood a cine-biografia J. Edgar, estrelada por Leonardo Di Caprio, e Jolie Na Terra de Amor e Ódio, seu primeiro longa-metragem como diretora. A revista norte-americana Interview, com a atriz Scarlett Johansson na capa, traz no mês de dezembro um bate papo entre os dois artistas, com a novata diretora sendo entrevistada pelo veterano. Confira:

Clint Eastwood: Eu vi o filme outro dia e gostei muito, ótimo trabalho. Não acho que as pessoas vão pensar que é a primeira vez que você dirige um filme.

Angelina Jolie: Oh… muito obrigada.

CE: Você deve ter tido boas influências ao longo do caminho...

AJ: Sim, você é uma delas (risos). Quando eu estava no set com você, eu pensava: “Meu Deus, Clint faz isso parecer muito, muito fácil.” E de verdade, não é assim tão fácil. Mas você parecia estar cercado por grandes pessoas e deixava com que elas o incentivasse. Eu também tinha uma grande equipe, eles foram incríveis. Então eu tive sorte.

CE: Existe violência pesada neste filme, geralmente as pessoas não costumam associar que uma mulher trabalhe algo do tipo em seu primeiro filme (Jolie risos). Eu também fiquei realmente surpreso com a boa direção de arte. É realmente adicionada uma sensação autêntica a coisa toda.

AJ: Oh, Clint, obrigada! E isso é Jon Hutman (designer de produção) e Dean (Semler, diretor de fotografia). Tivemos a sorte de que todos os atores e os envolvidos no filme são da região e viveram a guerra, eles puderam nos ajudar a dar o tom certo a tudo.

CE: Você tem a sensação de que todo mundo estava ligado a ele (tom real da narrativa) de alguma forma. Os atores pareciam autênticos. Ou isso, ou eles, eram simplesmente brilhantes?! O que talvez pode ter sido o caso também.

AJ: Vou parecer tendenciosa, mas acho que eles são brilhantes.

CE: Quando você decidiu que queria dirigir o filme? Quando eu li o roteiro, eu pensei que sua intenção era atuar como protagonista. Mas eu não tinha discutido isso com você, então eu não sabia exatamente onde você estava indo...

Leia: Próxima atração – Angelina Jolie dirige Na Terra de Amor e Ódio

AJ: Eu acho que eu sempre soube que o filme pertencia aos atores da região, e eu não poderia estar nele como atriz. Eu tinha o louco pensamento de dirigir, mas não queria aceitar isso. Eu nunca acreditei que era a pessoa certa tecnicamente, mas eu não podia deixar de tentar, por isso, acabei dizendo: “Tudo bem, vamos enviar o roteiro para algumas pessoas da área, e se acharem que é ruim… esqueço o projeto. Mas se estiverem dispostos a fazer o filme comigo, então talvez haja alguma verdade e eles podem me ajudar acertadamente na produção. Quando eu estava com Bernie (David Bernstein, assistente do diretor), ele começou a falar sobre o que foi realizado… coloquei as mãos na cabeça, e pensei: “não sei como cheguei até aqui!”.

CE: Eu acho que de alguma forma você refletiu e tomou uma decisão: “Ok, eu estou pronta para isso “.

AJ: Eu não sei se realmente pensei que estava pronta… mas tinha uma certeza: “Oh, o que estou fazendo? Estou fazendo um filme!” Acho que a questão é sobre: ” Qual é o seu próximo filme? “Depois, por vezes, temos sorte, capacidade e inteligência para tomar decisões:” Eu só quero ser uma artista, quero tentar algo, aprender. Quero jogar e criar, não estou realmente certa a respeito de nada, mas eu quero aprender algo novo. “

CE: Bem, esse é o caminho a percorrer. Você acabou de se jogar de cabeça nele!

Primeiro cartaz de Na Terra de Amor e Ódio / Foto: Paris Filmes

Tivemos uma jovem atriz, linda, doce, tão cheia de vida, e tragicamente ela perdeu 28 familiares no conflito. Mesmo com todo o sofrimento ela não é uma pessoa deprimida, existe uma luz brilhante dentro dela. Eu não sei exatamente como ela conseguiu superar tantos momentos difíceis.

– Jolie.

CE: O que eu gostei sobre o elenco é que você pode dizer definitivamente que não são atores norte-americanos atuando. Pela autêntica identificação deles com o tema abordado.

AJ: O que era importante para mim, e o que significou muito, é que eles concordaram que não era apenas um lado da história que estava sendo contado. Havia pessoas de todos os lados, que decidiram que estariam juntas. Por isso havia sérvios da Bósnia, sérvios da Sérvia, muçulmanos bósnios e croatas, o que foi ótimo! Você sabe, eu pensei muito sobre isso, porque nós fizemos isso utilizando a linguagem da região, que foi chamada de servo-croata, e que hoje é bósnio-croata-sérvio. Lembrei de você quando dirigiu Cartas para Iwo Jima (2006) e pensei de alguma forma no seu filme. Mas fiquei confusa, muitas vezes (risos).

CE: Seus atores praticamente viveram a guerra...

AJ: Eles viveram! Muitos deles tem lembranças dela. Todo mundo estava em uma idade diferente e lembraram dos fatos de maneiras diferentes. Inclusive, algumas pessoas do elenco e da produção possuem em seus corpos ferimentos de bala. Tivemos uma jovem atriz, linda, doce, tão cheia de vida, e tragicamente ela perdeu 28 familiares no conflito. Mesmo com todo o sofrimento, ela não é uma pessoa deprimida, existe uma luz brilhante dentro dela. Eu não sei exatamente como ela conseguiu superar tantos momentos difíceis.

AJ: Eu vi o trailer de J. Edgar. Estou sempre curiosa para ver o que você está fazendo, achei incrível. Você está feliz com ele?

CE: Sim, estou, mas você sabe, eu ainda estou aprendendo. (Jolie risos) Nunca sabemos verdadeiramente nada, então, em algum momento você pensa apenas: “Oh, bem… e depois entrega o filme ao público e vê como ele será aceito. Eu imagino que você está sentindo isso agora...

AJ: Eu estou tentando não pensar nisso! Eu ainda não acredito que ele (o filme) está saindo. Ainda não estou completamente convencida se tudo isso faz sentido. Vi o primeiro trailer e pensei: “Uau… isso é mesmo um trailer de verdade!”. Não estava esperando um trailer de verdade, ou mesmo um cartaz de verdade, ou uma data de lançamento de verdade. De alguma forma isso (o filme) é uma maravilhosa e criativa peça de arte que fiz com alguns amigos...

CE: Mas todos estão muito animados com Na Terra de Amor e Ódio! Acho que as pessoas vão se surpreender...

AJ: Isso significa muito vindo de você.

CE: Novamente repito você vai surpreender a todos!

AJ:  Suas belas palavras significam muito, muito para mim. Me deixam até certo ponto… envergonhada. Estou feliz que você não tenha me ligado e dito algo como: “Eu acho que você deve esconder seu filme. Você sabe?!  Recomeçar!”

CE: Não, não. Eu acho que é um filme difícil e que é extremamente bem feito! Filmes como Na Terra de Amor e Ódio são muito complexos em seu processo de realização.

CE: E quando você volta para Los Angeles?

AJ: Dezembro… talvez mais cedo.

* Tradução: Ramon Dutra

Angelina Jolie e Zana Marjanovic, protagonista do longa, em entrevista durante o Festival de Sarajevo

Na Terra de Amor e Ódio chega aos cinemas norte-americanos em 23 de dezembro e no Brasil em 12 de outubro do próximo ano.

Especial Salt: As mulheres de Angelina Jolie

Em “Salt“, longa que chega aos cinemas brasileiros hoje, Angelina Jolie vive a misteriosa Evelyn Salt, agente da CIA acusada de ser uma espiã russa. Especialista em interpretar mulheres fortes e obstinadas, Jolie deve colocar a agente em sua galeria de formidáveis personagens. Pensando nisso, o “Cinema na Panela” listou as cinco mais complexas, marcantes e inesquecíveis mulheres interpretadas por Angelina.

Gia Carangi (“Gia – Fama e Destruição“, 1998. Direção: Michael Cristofer)

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Warner

Gia Carangi foi a primeira modelo a virar estrela internacional e ícone da geração 80. Trabalhou para os principais fotógrafos da época – entre eles Francesco Scavullo -, e foi capa de grandes publicações como Vogue e Cosmopolitan. Desfilou para estilistas renomados, como a belga Diane von Fürstenberg e Gianni Versace. Em decorrência do vício com drogas perdeu tudo. Falecendo em 18 de novembro de 1986, aos 26 anos, em decorrência de complicações causadas pela AIDS. Foi a primeira mulher famosa diagnosticada com o vírus HIV. Angelina Jolie foi a única escolha dos produtores para o papel, mas sentia que a personagem se parecia demais com ela em relação a sexualidade – Gia era lésbica – e as angústias emocionais. Mesmo com dúvidas Jolie aceitou o desafio e entregou uma das performances mais explosivas de sua carreira. Ela não interpretou Gia, ela se tornou Gia! Premiada com o Globo de Ouro de melhor atriz e indicada ao Emmy na mesma categoria, Angelina viu sua carreira decolar após a estreia do filme.

Christine Collins (“A Troca“, 2008. Direção: Clint Eastwood)

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Universal

Já na condição de maior estrela do cinema internacional, Angelina Jolie aceitou viver outra figura real em “A Troca” de Clint Eastwood. No longa ambientado no fim dos anos 20, a atriz é Christine Collins, mãe solteira que precisa enfrentar a corrupção da polícia de Nova York para encontrar seu filho desaparecido. Jolie se inspirou em sua falecida mãe, Marcheline Bertrand, para compor a doce, frágil, porém corajosa Christine. O resultado foi uma das mais apaixonantes atuações de sua carreira, emocionante do início ao fim. Impossível não ir as lágrimas com o desespero e a esperança que Jolie imprime em Christine. Aclamada pela crítica no Festival de Cannes, ela foi indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro de melhor atriz. Viu o “careca dourado” ir para as mãos de Kate Winslet por “O Leitor”, o que não tirou o brilho de sua excelente atuação.

Marianne Pearl (“O Preço da Coragem“, 2007. Direção: Michael Winterbottom)

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Paramount

Comprovando o gosto por personagens reais, Angelina embarcou na vida da jornalista Marianne Pearl em “O Preço da Coragem”, baseado no livro “A Mighty Heart”. O longa mostra os momentos de angustia de Marianne – grávida de seu primeiro filho – que tem seu marido, o jornalista Daniel Pearl, sequestrado e posteriormente executado no Paquistão. Dirigido em forma de documentário pelo inglês Michael Winterbottom, em “O Preço da Coragem” Angelina Jolie nos entrega a melhor atuação de sua carreira. Força, determinação e inevitavelmente dor são expressos de forma ímpar pela atriz. Um turbilhão de sentimentos. Injustamente Jolie foi preterida no Oscar, mas recebeu indicações ao Globo de Ouro e Critics Choice.

Lisa Rowe (“Garota, Interrompida“, 1999. Direção: James Mangold)

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Sony Pictures

Winona Ryder idealizava a adaptação do livro “Girl, Interrupted” há seis anos. Finalmente em 1999 começaria a rodar a história de Susanna Kaysen, interpretada por Ryder, a jovem foi enviada a um hospital psiquiátrico por seus pais nos anos 60. O show seria de Winona, porém um furacão chamado Angelina Jolie atravessou em seu caminho com a rebelde Lisa Rowe, uma das pacientes da instituição. Lisa na verdade é a junção de algumas mulheres que Susanna conheceu em seu período no hospital Claymoore. Um personagem rico e denso, ideal para uma atriz brilhar. Jolie agarrou a oportunidade e ofuscou todo o elenco, mesmo que todos estejam muito bem em seus papéis. O diferencial é que a atriz está acima da média. Venceu os mais importantes prêmios da temporada, incluindo o Oscar de melhor atriz coadjuvante e virou estrela.

Joan (“Corações Apaixonados“, 1998. Direção: Willard Carroll)

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Reprodução – Miramax

“Corações Apaixonados” apresenta uma colcha de retalhos em Nova York, inúmeras histórias que obviamente se cruzarão. No longa Jolie é Joan, mulher vibrante que se apaixona mas não é correspondida de imediato. Pode parecer uma personagem banal se comparada as outras mulheres de Jolie, mas é apenas a impressão. Joan é complexa e nas mãos de uma atriz tão talentosa como Angelina ganhou verdade e carisma, uma personagem apaixonante. Por sua representação cativante, a atriz foi escolhida pelos membros do National Board Review como um dos destaques de 1998, com o prêmio breakthrough performance.

“Salt” estreia hoje nos cinemas brasileiros.

Perfil: Angelina Jolie

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Ensaio – Patrick Demarchelier

Atriz norte-americana melhor sucedida e assediada dos anos 2000, ANGELINA JOLIE conseguiu algo inédito, unir dois mundos: o das estrelas intocáveis de Hollywood à realidade dos problemas vividos pelos refugiados de guerra ao redor do mundo.

O começo

A pequena Jolie nasceu em 04 de junho de 1975 em Los Angeles, fruto da união dos atores Jon Voight e Marcheline Bertrand que se separaram no ano seguinte. Angelina e o irmão James Haven ficaram com a mãe. Não demorou  para a menina se interessar pela atuação, aos sete anos fez uma pequena participação no longa estrelado por seu pai “Lookin to Get Out”, além de ser a estrela dos vídeos familiares de seu irmão. Aos 11 anos ingressou na escola de interpretação Lee Strasberg, especializada em passar para os atores o método de interpretação, baseado nos ensinamentos de Sistema Stanilaslaski do russo Constantin Stanilaslaski. Atores como Robert De Niro, Al Pacino e Dustin Hoffman exercem esse estilo de atuação.

Disposta a ser reconhecida por seu trabalho e não por ser filha de um ator famoso, a atriz adotou como nome artístico Angelina Jolie, deixando de lado o Voight de seu pai. Após fazer parte de dois curtas metragens, “Angela & Viril” e “Alice & Viril”, Jolie participou do filme de baixo orçamento “Cyborg 2”, sequência de um longa estrelado por Jean Claude Van Damme no final dos anos 80. A atriz odiou o resultado final da produção. Em 1995 Angelina apareceu em três produções, as descartáveis “Sem Evidências” e “Sob o Luar do Deserto” que valem uma espiada apenas para quem é fã da atriz e em “Hackers – Piratas de Computador”, longa que mostrava de forma exagerada o mundo da internet. Foi nesse filme que a atriz conheceu seu primeiro marido, o inglês Johnny Lee Miller. Os projetos seguintes, “Duas Famílias em Pé de Guerra” e “Rebeldes” foram lançados em 1996, e pelo último deles Jolie recebeu seus primeiros elogios em um papel dramático.

Gia – Fama e Destruição, 1998 / Divulgação – Warner

Jovem talento

“Prova de Fogo”, uma minissérie para a televisão americana e “Brincando com a Morte”, péssimo longa com o então Fox Mulder David Duchovny, foram lançados em 1997 e não fizeram nada pela carreira de Angelina. Mas o telefilme “O Homem que Não Vendeu sua Alma”, estrelado por Gary Sinise, possibilitou a Jolie finalmente dar vida a uma personagem complexa e interessante, Cornelia Wallace, segunda mulher do governador do Alabama George Wallace. Pelo filme dirigido por John Frankenheimer (“Sob o Domínio do Mal”, “Ronin”) a atriz recebeu o Globo de Ouro como melhor atriz coadjuvante, além de uma indicação ao Emmy na mesma categoria. Nesse período o canal a cabo norte-americano HBO estava iniciando a produção de um longa baseado na trajetória trágica da primeira supermodelo internacional, Gia Carangi, lésbica e viciada em drogas, ela morreu precocemente em 1986 aos 26 anos em decorrência do vírus HIV. Os produtores, fascinados com o magnetismo da atuação e beleza de Angelina a escolheram para o papel. E receberam como resposta um sonoro não da atriz, que achava o papel extremamente difícil e catártico. Após uma longa conversa com os envolvidos na produção, Jolie voltou atrás e aceitou o papel. A veterana Faye Dunaway e Mercedes Ruehl, vencedoras do Oscar, também estavam em “Gia – Fama e Destruição”, que estreou em 31 de janeiro de 1998 na HBO causando grande alvoroço. Todos queriam saber quem era aquela força da natureza, com belos lábios carnudos e olhar penetrante. Jolie já havia atuado em alguns filmes, mas não era conhecida nacionalmente pelo grande público. O triste filme sobre Gia rendeu a Angelina sua segunda indicação ao Emmy e os prêmios Globo de Ouro e SAG como melhor atriz. A partir desse momento sua carreira nunca mais seria a mesma.

Ainda em 1998 estrearam outros dois longas com Angelina, o nada visto “A Cozinha do Inferno” e a colcha de retalhos de histórias em Los Angeles “Corações Apaixonados”, que trazia a atriz acompanhada por um elenco notável: Sean Connery, Gillian Anderson, Ellen Burstyn, Dennis Quaid, Gena Rowalds e Ryan Phillipe. Jolie recebeu o National Board Review, prêmio dos críticos, por sua apaixonante personagem  Joan. 1999 pode ser chamado de ano “chave” na carreira de Angelina, com três filmes prontos e a serem lançados. O primeiro deles, a chegar aos cinemas foi a comédia de Mike Newell (“Quatro Casamentos e um Funeral”) “Alto Controle”, que tinha no elenco também John Cusack, Cate Blanchett e Billy Bob Thorton, que meses depois se tornou marido de Jolie. O longa não agradou aos críticos e não obteve um bom resultado nas bilheterias, mas isso não afetou a ascenção da atriz que tinha mais duas cartas na manga. Em outubro daquele ano estreou o suspense policial “O Colecionador de Ossos” que trazia Jolie ao lado de Denzel Washington. Dirigido por Phillip Noyce o longa mantinha semelhanças em seu arco dramático com um dos maiores clássicos do cinema, “O Silêncio dos Inocentes”. Logicamente inferior ao filme estrelado por Jodie Foster e Anthony Hopkins, “O Colecionador de Ossos” foi o primeiro sucesso comercial internacional de Angelina, que oferece uma ótima e segura performance e atua de igual para igual com Washington.

Melhor atriz coadjuvante por Garota, Interrompida / Divulgação – Sony

O Oscar e Tomb Raider

Em 21 de dezembro de 1999 chegou às telas o terceiro filme de Angelina Jolie no ano, “Garota, Interrompida”. Produzido e estrelado por Winona Ryder, que idealizava a produção desde 1993, o projeto um estudo sensível sobre a dificuldade de adaptação de jovens nos confusos anos 70 foi dirigido por James Mangold, e centrava sua atenção em duas personagens: Susanna Kaysen, jovem introspectiva, interpretada por Winona e Lisa Rowe, rebelde e contestadora personagem de Jolie. O elenco do filme trazia também jovens talentos como Jared Leto ao lado de atrizes já consagradas como Vanessa Redgrave e Whoopi Goldberg. O excelente desempenho de Jolie no longa ofuscou a todos e rendeu à atriz o Oscar como melhor coadjuvante, além do Globo de Ouro e SAG Awards na mesma categoria. Cansada de filmes sérios e personagens complexos a atriz embarcou em “60 Segundos”, blockbuster descerebrado de Jerry Bruckheimer estrelado por Nicolas Cage. O passo seguinte foi estrelar a adaptação do game “Tomb Raider”, como a aventureira Lara Croft. Sucesso mundial, o filme foi alvo de muitas críticas negativas, porém transformou Jolie em estrela internacional. A atriz vivia o auge artistico, mas os fracassos dos longas seguintes “Pecado Original”, que a reuniu novamente a Michael Cristofer – seu diretor em “Gia” – e a Antonio Banderas, e “Uma Vida em Sete Dias”, romance sem sal e sem razão de existir que a atriz estrelou em 2002 após recusar o suspense de David Fincher “O Quarto do Pânico”, colocaram em dúvida seu poder na “selva hollywoodiana”.

Voltar para uma sequência de “Tomb Raider” parecia um passo seguro, mas não foi isso que aconteceu. Em 2003 Angelina estrelou “Lara Croft Tomb Raider: A Origem da Vida”, segunda aventura da atriz como Lara. Apesar de melhor que o primeiro filme, o longa não correspondeu às expectativas nas bilheterias. O quadro piorou quando foram lançados “Amor Sem Fronteiras”, drama de Martin Campbell (“007 – Cassino Royale”) com Clive Owen, “Roubando Vidas”, suspense policial filmado no Canadá e que possuia no elenco Ethan Hawke, Gena Rowalds e Kiefer Sutherland e o épico “Alexandre”, todos fracassos de crítica e público. O longa de Oliver Stone sobre a vida do imperador macedônico Alexandre Magno, trazia Jolie como sua mãe a misteriosa rainha Olímpia. A atriz foi alvo de severas críticas pelo sotaque adotado para a personagem, e também por ser apenas um ano mais velha que Colin Farrell que interpretava seu filho. Da fase pós-Oscar apenas dois de seus projetos tiveram bons resultados, a ficção-retrô “Capitão Sky e o Mundo de Amanhã”, em que interpretava a valente Capitã Frank Cook e a animação “O Espanta Tubarões”. Que dublou ao lado de um elenco notável, que incluía Robert De Niro, Martin Scorsese e Will Smith. Em 2004 Angelina fez uma breve participação no telefilme da HBO “The Fever” – já exibido no Brasil pelo canal fechado, mas nunca lançado em DVD -, com Vanessa Redgrave em papel indicado ao SAG Awards.

Com Brad Pitt em Sr. & Sra. Smith / Divulgação – Fox

Em ótima fase

Sem o prestígio profissional dos tempos de “Gia” e “Garota, Interrompida”, e sem emplacar um sucesso genuíno de bilheteria desde “Lara Croft: Tomb Raider” de 2001, Angelina Jolie aceitou substituir Nicole Kidman na comédia de ação dirigida por Doug Liman (“A Identidade Bourne”) “Sr. & Sra. Smith” em 2005. Brad Pitt seria seu marido e espião rival no longa, pelo qual a atriz recebeu 20 milhões de dólares, entrando para o seleto grupo de atrizes mais bem pagas do cinema. Durante as filmagens surgiram na mídia boatos de que o casal de protagonistas havia levado a paixão das telas para além das filmagens. O fato de Pitt ser casado com Jennifer Aniston e Jolie ter um histórico de paixão por colegas de trabalho e ou homens casados, colocou mais lenha na fogueira de fofocas. Meses depois o ator se separou da eterna Rachel de “Friends” e em julho daquele ano apareceu ao lado de Angelina e seu filho Maddox em fotos que demonstravam intimidade. O romance, agora, era oficial. Juntos o novo casal formalizou a adoção do primeiro filho de Jolie, da menina africana Zahara e Pax Thien, órfã vietnamita. Em maio de 2006 teve sua  primeira filha biológica, Shiloh Nouvel. E sobre “Sr. & Sra. Smith”…, sim o filme fez enorme sucesso de bilheteria, com 478 milhões de dólares arrecadados ao redor do mundo.

Afastada dos cinemas desde o êxito de “Sr. & Sra. Smith”, Angelina retornou à telona em 2006 com “O Bom Pastor, drama de época roteirizado por Eric Roth (“Forrest Gump”) e dirigido por Robert De Niro, a produção foi a segunda incursão do premiado ator na direção. Esnobado pela crítica, o lento e charmoso longa teve um resultado aquém das expectativas, mas mostrou um outro lado de Jolie como a passiva dona de casa Clover Russell. Dividindo na maior parte do tempo cenas com Matt Damon, a atriz demonstrou segurança e entregou uma performance madura e eficiente. “O Bom Pastor” serviu de aperitivo para o grande retorno dramático de Jolie em “O Preço da Coragem” de 2007, longa sobre as horas de desespero vividas por Marianne Pearl, viúva de Daniel Pearl, jornalista decapitado no Paquistão. Adaptação de Michael Winterbottom do livro de memórias de Marianne, o longa em tom de documentário mostrou uma Angelina nunca antes vista em cena. Completamente imersa no papel, a atriz precisava apenas de um olhar para transmitir toda a dor vivida pela personagem. Todo o turbilhão de sentimentos explode em uma das últimas cenas do longa, quando Marianne deixa desabar sua fortaleza em uma sequência emocionante. “O Preço da Coragem” recebeu três indicações ao Independent Spirit Awards, melhor roteiro, filme do ano e atriz para Angelina que foi indicada também ao Globo de Ouro, SAG e Critics Choice. Além de receber o prêmio de melhor atuação do ano no Festival de Santa Barbara. Todos davam como certa sua nomeação também ao Oscar de melhor de atriz, durante a divulgação dos indicados veio a surpresa, Jolie havia sido preterida por Laura Linney e seu desempenho em “Família Savage”. “A Lenda de Beowulf”, animação de Robert Zemckis (“Forrest Gump”) utilizando a captura de movimentos também estreou naquele ano, mas ao contrário de “O Preço da Coragem”, foi uma grande decepção.

Grávida de gêmeos em Cannes e emocionando em A Troca, de 2008 / Divulgação – Universal

Maturidade

Grávida de gêmeos, Angelina tinha um agitado 2008 com três grandes produções que estreariam no decorrer dos meses. “Kung Fu Panda”, animação que a atriz divulgou em junho ao lado dos colegas Jack Black e Dustin Hoffman no Festival de Cannes com uma enorme barriga e “O Procurado”, adaptação de um HQ, estrearam nos cinemas em 2008. Os longas foram enormes sucessos colhendo elogios e rendendo ao redor do mundo 631 e 341 milhões respectivamente, era a comprovação, principalmente por “O Procurado”, de que a presença da estrela era garantia de altas cifras. No mês seguinte Jolie deu a luz ao casal Knox Léon e Vivianne Marcheline, em homenagem a sua mãe falecida em  2007. Em 24 de outubro chegou aos cinemas o mais esperado dos projetos cinematográficos de Angelina em 2008, “A Troca”, drama dirigido por Clint Eastwood e que foi aplaudido pelos críticos em sua exibição meses antes em Cannes. O longa foi mal compreendido pelos críticos norte-americanos, que foram unânimes apenas em um ponto: a poderosa atuação de Angelina como Christine Collins, mãe solteira que tem seu filho dado como desaparecido e que luta para desvendar o caso mesmo tendo como maior adversária a corrupta polícia de Los Angeles em meados da década de 30. O trabalho de Jolie foi irrepreensível e rendeu a ela indicações ao Oscar, Globo de Ouro, SAG e Critics Choice como melhor atriz, um merecido reconhecimento para uma das melhores e mais maduras atuações de sua carreira. Vale destacar uma cena em especial do longa, quando Christine afirma que ganhou esperança para continuar sua luta. Belíssima sequência, auxiliada por uma tocante trilha sonora – assinada por Eastwood – e que tem como alicerce uma inspiradíssima Angelina em sua melhor forma.

Após uma década agitada, com muitos altos e pouco baixos, a musa não teve nenhum longa lançado nos cinemas em 2009. Porém, filmou nesse período o thriller “Salt”, nova parceria com o diretor Phillip Noyce. A produção chega aos cinemas norte-americanos dia 23 de julho e uma semana depois no Brasil. Cercado de grande expectativa, por ser o primeiro filme da atriz desde “A Troca”, “Salt” terá como principal adversário pelo primeiro lugar nas bilheterias dos EUA a comédia “Dinner for Schumcks” de Jay Roach (“Entrando Numa Fria”). Para 2011 Angelina, que há nove anos é embaixadora do alto comissariado da ONU realizando um trabalho inspirador e ativo pelos refugiados de guerra, estrelará ao lado de Johnny Depp o thriller romântico “The Tourist”, refilmagem de um longa dinamarquês, dirigida pelo alemão Florian Henckel von Donnersmarck (“A Vida dos Outros”) e voltará como a Tigresa na sequência “Kung Fu Panda: The Kaboom of Doom”. Projetos ainda em desenvolvimento como “Serena”, “Gucci” e “Maleficent” estão na agenda da atriz, porém sem nenhuma confirmação de roteiristas, elenco e ou diretores.

Musa de uma geração, primeiro grande ícone do cinema internacional desde Marilyn Monroe, ativista, mulher inteligente e dona dos lábios mais desejados da história, essa é Angelina Jolie. Maior representação da independência feminina no novo século.

MTV Diary: Angelina Jolie and Dr. Jeffrey Sachs in Africa

Os vencedores do 35º Saturn Awards

Universal Pictures

Ontem, 24 de junho, aconteceu nos EUA a entrega dos Saturn Awards – premiação para filmes de aventura, suspense/terror e ficção científica. O grande vencedor da noite foi o longa “Batman – O Cavaleiro das Trevas“, com cinco prêmios: melhor filme ação/aventura, roteiro, ator coadjuvante para Heath Ledger, trilha sonora e efeitos especiais.

Os prêmios de melhor ator e atriz foram respectivamente para Robert Downey Jr. por “Homem de Ferro”, e Angelina Jolie pela emocionante atuação como Christine Collins em “A Troca” de Clint Eastwood.

Confira os demais vencedores.

Oscar 2009: Angelina Jolie – A sensível atuação em A Troca

angelina_jolie_oscar_2000_01Há nove anos Angelina Jolie saiu da cerimônia do Oscar com o prêmio de melhor atriz coadjuvante por “Garota, Interrompida“. Neste domingo ela volta à premiação como uma das indicadas a categoria principal por “A Troca”.

Diferente de 2000, hoje Jolie é a atriz mais poderosa de Hollywood, porém deve sair de mãos vazias desse Oscar. As favoritas são Kate Winslet por “O Leitor” e Meryl Streep por “Dúvida”. Mas o que mudou nesses nove anos na carreira de Angelina? Continuar lendo Oscar 2009: Angelina Jolie – A sensível atuação em A Troca

Oscar 2009: Favoritos, possíveis surpresas e esquecidos

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Angelina Jolie e Kate Winslet disputam o Oscar de melhor atriz

No próximo domingo, 22 de fevereiro, acontece em Los Angeles a 81ª edição dos Academy Awards. Em um ano dominado por adaptações de HQ (Batman – O Cavaleiro das Trevas, Homem de Ferro), dramas conduzidos por astros (Dúvida, A Troca) e uma animação com status de obra-orima (Wall-E), foi uma produção independente (Quem quer ser um Milionário) sobre a pobreza na Índia que arrebatou os louros da crítica. Continuar lendo Oscar 2009: Favoritos, possíveis surpresas e esquecidos

Oscar 2009: Os Indicados

Divulgação

Melhor filme:

“Quem quer ser Milionário?” – Fox Searchlight
“Frost/Nixon” – Universal Pictures
“O Curioso Caso de Benjamin Button” – Warner Bros. Pictures/Paramount Pictures
“Milk – A Voz da Liberdade” – Focus Features
“O Leitor” – The Weinstein Company

Melhor diretor:

Danny Boyle – “Quem quer ser Milionário”
Ron Howard – “Frost/Nixon”
David Fincher – “O Curioso Caso de Benjamin Button”
Gus Van Sant – “Milk – A Voz da Liberdade”
Stephen Daldry – “O Leitor”

Melhor ator:

Mickey Rourke – “O Lutador”
Sean Penn “Milk – A Voz da Liberdade”
Frank Langella – “Frost/Nixon”
Brad Pitt – “O Curioso Caso de Benjamin Button”
Richard Jenkins – “The Visitor

Melhor atriz:

Meryl Streep – “Dúvida”
Kate Winslet – “O Leitor”
Anne Hathaway – “O Casamento de Rachel”
Angelina Jolie – “A Troca”
Melissa Leo – “Rio Congelado”

Melhor ator coadjuvante:

Heath Ledger – “Batman – O Cavaleiro das Trevas”
Josh Brolin – “Milk – A Voz da Liberdade”
Robert Downey Jr. – “Trovão Tropical”
Philip Seymour Hoffman – “Dúvida”
Michael Shannon – “Foi Apenas um Sonho”

Melhor atriz coadjuvante:

Amy Adams – “Dúvida”
Penélope Cruz – “Vicky Cristina Barcelona”
Viola Davis – “Dúvida”
Taraji P. Henson – “O Curioso Caso de Benjamin Button”
Marisa Tomei – “O Lutador”

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