Nostalgia: 25 anos de Instinto Selvagem

Reprodução – Universal Pictures / StudioCanal

Em 20 de março de 1992 chegava aos cinemas norte-americanos Instinto Selvagem, um dos filmes mais marcantes daquela década. Dirigido por Paul Verhoeven, o filme transformou em estrela Sharon Stone como a femme fatale Catherine Tramell. Hoje é inimaginável outra atriz no papel. Voltando no tempo não foi fácil a escolha da protagonista. Joe Eszterhas, de Flashdance, escreveu o roteiro de Instinto Selvagem em 13 dias, e o vendeu a peso de ouro, 3 milhões de dólares, para a Carolco Pictures. Continuar lendo Nostalgia: 25 anos de Instinto Selvagem

Atração Fatal: Close, Douglas & Lyne

glennclose_michaeldouglas_adrianlyne_atracaofatal
Paramount Pictures

Glenn Close, Michael Douglas, que ao mesmo tempo trabalhava em Wall Street – Poder e Cobiça, e Adrian Lyne durante as filmagens de Atração Fatal (Fatal Attraction) em Nova York. O filme lançado nos EUA em 8 de setembro de 1987, no Brasil chegaria em 14 de janeiro do ano seguinte, foi indicado a seis prêmios Oscar. Incluindo filme, diretor, roteiro (James Dearden) e atriz para a magistral performance de Close como Alex Forrest. Maior sucesso da carreira de Lyne, Atração Fatal rendeu no mundo a maior bilheteria do ano, com mais de 320 milhões de dólares e muita discussão em torno de casamento e infidelidade. Continuar lendo Atração Fatal: Close, Douglas & Lyne

Bilheteria EUA 17 – 19 de julho: Homem-Formiga

homem_formiga_01
Disney

HOMEM-FORMIGA (Ant-Man), 12º filme do Universo Cinematográfico Marvel e última da fase 2 do estúdio, estreou na primeira posição em seu fim de semana de estreia, com 57,22 milhões de dólares. Números abaixo das expectativas da Disney e a frente apenas dos de O Incrível Hulk (2008) – US$ 55,41. Baseado no personagem desconhecido do grande público, e criado em 1962 por Stan Lee, Larry Lieber e Jack Kirby, Homem-Formiga traz como protagonista a segunda encarnação do herói, Scott Lang (PAUL RUDD), introduzido nas HQ em 1979 por John Byrne e David Michelini. Hank Pym, o herói original – interpretado pelo astro Michael Douglas, aparece como mentor do futuro Vingador. Na trama, Pym escolhe o trambiqueiro Scott Lang – um hábil ladrão – para assumir o traje do Formiga, e assim impedir que o vilão Darren Cross/Jaqueta Amarela (Corey Stoll), um ex-pupilo de Hank, venda a tecnologia criada pelo cientista para uma organização. Com direção de Peyton Reed (Separados pelo Casamento), o filme tem ainda no elenco Evangeline Lilly, Bobby Cannavale, Judy Greer e Michael Peña. Com orçamento de US$ 130 milhões, a produção está em cartaz nos cinemas brasileiros.

Continuar lendo Bilheteria EUA 17 – 19 de julho: Homem-Formiga

Os filmes do diretor David Fincher

david_fincher_01
Divulgação

Aos 52 anos – completados em 28 de agosto, DAVID FINCHER é um dos maiores diretores do cinema mundial. Realizador de obras impactantes como Seven: Os Sete Crimes Capitais Clube da Luta, ele se encantou cedo pela sétima arte – aos oito anos, inspirado por Butch Cassidy, filme estrelado por Paul Newman e Robert Redford em 1969. Tendo cursado a Berkeley Film Institute, Fincher começou a trabalhar em 1983, aos 21 anos, na Industrial Light & Magic, em filmes como Star Wars, Episódio VI – O Retorno de Jedi e Indiana Jones e o Templo da Perdição. Um ano depois deixou a ILM para se dedicar a direção de comerciais, entre eles de marcas como Nike, Pepsi, Sony e Revlon. Foi um dos fundadores da Propaganda Films, tendo dirigido videoclipes clássicos em meados dos anos 80 e 90, como Express Yourself, Oh Father, Vogue e Bad Girl de Madonna, e Freedom! ’90 de George Michael.

Dirigiu nos anos 2000 Only do Nine Inch Nails, e Suit & Tie, colaboração de Justin Timberlake com Jay-Z. A estreia na direção de longas-metragens aconteceu com Alien³, de 1992. Despontou como jovem talento ao dirigir o aclamado Seven: Os Sete Crimes Capitais, se consagrando com o clássico contemporâneo Clube da Luta. Abraçou o cinemão com O Quarto do Pânico, sendo acolhido pela Academia com dois projetos menos ousados: O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social. Acompanhe a seguir um passeio pela filmografia desse talentoso cineasta – meu preferido, que volta aos cinemas em outubro com outro suspense, A Garota Exemplar.

Alien³ (1992)

Fox

A terceira parte da franquia Alien marcou a estreia de David Fincher no comando de um longa metragem, tendo a carismática Sigourney Weaver novamente irrepreensível como a heroína Ripley. Inserida num ambiente claustrofóbico em uma história que primava pela falta de esperança, tratando a presença do Xenomorfo – raça alienígena – em um planeta prisão como metáfora ao vírus HIV no início da década de 90. O filme foi recebido com má vontade por fãs, críticos e até por Fincher que mesmo hoje não aprova o resultado final da produção. Injustamente, já que o longa continua com excelência a saga iniciada por Ridley Scott em 1979, e visitada por James Cameron em 1986. Com bilheteria internacional de 159 milhões de dólares, ALIEN³ tem também no elenco Charles Dance, Charles S. Dutton, Lance Henriksen e Pete Postlethwaite.

Seven: Os Sete Crimes Capitais (1995)

seven_01
Warner

Três anos depois Fincher assinou o thriller SEVEN: OS SETE CRIMES CAPITAIS (Se7en), que marcou sua primeira parceria com Brad Pitt – em papel recusado por Denzel Washington. O longa, que ao lado de O Silêncio dos Inocentes redefiniu o gênero suspense policial nos anos 90, trazia também no elenco Morgan Freeman – substituindo Al Pacino, que preferiu estrelar City Hall – Conspiração no Alto Escalão, Gwyneth Paltrow e Kevin Spacey – em participação pequena e marcante. Com roteiro – de Andrew Kevin Walker – e fotografia espetaculares, Seven é um dos melhores trabalhos da carreira do diretor. A trama acompanha dois detetives e a caçada a um serial killer, que usa os sete pecados capitais como método de seus assassinatos. Indicado ao Oscar de montagem e BAFTA de roteiro original, o filme é o segundo maior sucesso de bilheteria de David Fincher, tendo rendido no mundo 327 milhões de dólares.

Vidas em Jogo (1997)

vidasemjogo_01
Universal Pictures

David Fincher continuou no campo do suspense em seu trabalho seguinte – outro thriller – VIDAS EM JOGO (The Game). Com roteiro de John Brancato e Michael Ferris – com revisão não creditada de Fincher e Andrew Kevin Walker, a produção acompanha Nicholas Van Orton (interpretado por Michael Douglas), um empresário que recebe do irmão (Sean Penn) – inicialmente Jodie Foster seria a filha do protagonista, que virou irmão quando a atriz deixou a produção por diferenças criativas – um inusitado presente: um jogo real que transforma por completo sua vida. Aclamado pela crítica, o filme se saiu bem nas bilheterias – US$ 109 milhões, mesmo que não tenha repetido o grande sucesso de Seven.

Clube da Luta (1999)

clubedaluta_01
Fox

Clássico instântaneo, critica social acertada e contundente, melhor e mais emblemático filme dos anos 90. Todas essas afirmações servem para definir CLUBE DA LUTA (Fight Club), até hoje o melhor filme da carreira de David Fincher – que aqui dá outro show de direção. Subestimado por parte da crítica em sua estreia, sendo considerado violento demais, o filme ganhou com o passar dos anos status de cult. Um dos melhores do cinema contemporâneo, a adaptação do livro de Chuck Palahniuk acompanha O Narrador (Edward Norton, no ponto alto da carreira), um jovem executivo bem sucedido que atravessa uma crise existencial, usando como fuga participar de grupos de auto-ajuda. Ao conhecer Tyler Durden (um irrepreensível Brad Pitt), ele se liberta das amarras impostas pela vida em sociedade. O Narrador e Durden – ou seriam eles a mesma pessoa? – criam clubes da luta, que posteriormente se transformam no Projeto Caos. Presente em diversas listas de melhores filmes de todos os tempos – em publicações como Total Film, Empire – Clube da Luta traz também uma trilha sonora espetacular, destaque para Where Is My Mind? da banda Pixies, e atuações marcantes de Helena Boham-Carter, Jared Leto e Meat Loef. US$ 100 milhões em arrecadação mundial.

O Quarto do Pânico (2002)

oquartodopanico_01
Sony Pictures

Três anos após toda a controvérsia que envolveu Clube da Luta, David Fincher voltou aos cinemas com o thriller O QUARTO DO PÂNICO (Panic Room) Após um dolorido divórcio, Meg Altman se muda para um apartamento em Nova York ao lado da filha Sarah. No imóvel há um quarto secreto, utilizado em situações de emergência. É nele que Meg e Sarah se refugiam quando três bandidos invadem o local, atrás de uma fortuna deixada pelo dono anterior do apartamento. Desenvolvido com Nicole Kidman como protagonista, a atriz teve que abandonar as filmagens por conta de duas costelas fraturadas durante as filmagens de Moulin Rouge!. Fincher pensou em substitui-la por Angelina Jolie, mas a considerava muito jovem para o papel, que ficou com Jodie Foster. A atriz recebeu um salário de 12 milhões de dólares. Uma adolescente Kristen Stewart fora escalada como a filha de Foster, com Jared Leto, Forest Whitaker, Dwight Yoakam completando o elenco, além de uma participação especial de Kidman. Um suspense vigoroso, O Quarto do Pânico foi um êxito comercial rendendo US$ 196 milhões.

Zodíaco (2007)

zodiaco_01
Warner

Após cinco anos afastado dos cinemas, David Fincher retornou num território familiar: suspense policial, centrado numa caçada a um serial killer. Após recusar Batman Begins, Missão: Impossível 3 e Dália Negra, o diretor trouxe com a excelência habitual a investigação em torno do assassino do zodíaco, que aterrorizou São Francisco por décadas. Um tímido cartunista (Jake Gyllenhaal) inicia uma perigosa investigação pessoal, paralelamente a polícia da região. Excelente exemplar do gênero, ZODÍACO (Zodiac) foi bem recebido pela crítica, mesmo injustamente esnobado no Oscar daquele ano, e decepcionando nas bilheterias, com pouco mais de 84 milhões de dólares no mundo. Mark Ruffalo, Robert Downey, Jr., Anthony Edwards, Brian Cox, Elias Koteas, Dermot Mulroney e Chloe Sevigny, completam o elenco principal.

O Curioso Caso de Benjamin Button (2008)

ocuriosocasodebenjaminbutton_01
Warner

Em desenvolvimento desde os anos 80 – pelo projeto passaram nomes como Frank Oz, que dirigia a produção com Martin Short como protagonista, nos anos 90 Steven Spielberg e Tom Cruise, e posteriormente Ron Howard e John Travolta, passando por Spike Jonze e Gary Ross, e por fim em 2004, David Fincher, que aceitou dirigir o projeto tendo o roteiro de Eric Roth (Forrest Gump) e seu colaborador habitual Brad Pitt no papel principal, com Cate Blanchett como interesse romântico. O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON (The Curious Case of Benjamin Button) – baseado no conto homônimo de F. Scott Fitzgerald, conta a história do personagem título: um bebê que nasce com a aparência e estado físico de um homem de 80 anos, e rejuvenesce com o passar do tempo. Verdadeiramente um filme cheio de possibilidades narrativas e de direção, que proporcionou a Fincher outro excepcional trabalho – indicado ao Oscar. O filme recebeu outras 12 nomeações – incluindo filme e ator para Pitt, tendo vencido em três categorias: direção de arte, maquiagem e efeitos visuais. Maior bilheteria da carreira de Fincher, com 333 milhões de dólares arrecadados no mundo, o filme tem ainda no elenco Julia Ormond, Elias Koteas, Taraji P. Henson e Elle Fanning.

A Rede Social (2010)

aredesocial_01
Sony Pictures

A segunda indicação ao Oscar de direção de David Fincher – premiado com BAFTA e Globo de Ouro – viria com A REDE SOCIAL (The Social Network), adaptação do livro The Accidental Billionaires de Ben Mezrich, sobre a criação da rede social Facebook, com destaque a um de seus fundadores, Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg, em atuação nomeada ao Oscar de melhor ator). O elenco trazia ainda Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Hammer, Dakota Johnson e Rooney Mara. Oscar de roteiro adaptado para Aaron Sorkin, montagem e trilha sonora – Trent Reznor (da banda Nine Inch Nails) e Atticus Ross, de um total de oito nomeações. Além de 224 milhões de dólares arrecadados.

Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011)

millennium_01
Sony Pictures

David Fincher retornou ao universo dos suspenses com MILLENNIUM: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES (The Girl with the Dragon Tatoo), adaptação do livro homônimo, primeiro da trilogia Millennium, escrito por Stieg Larsson, e que já havia dado origem a um filme sueco de mesmo nome que trazia Noomi Rapace como a hacker Lisbeth Salander. Para sua versão, Fincher fez testes com uma série de atrizes, entre elas Natalie Portman, Jennifer Lawrence, Keira Knightley, Anne Hathaway e Scarlett Johansson – que foi considerada “sexy demais” para a personagem. Por fim, quem ficou com o papel fora a pouco conhecida Rooney Mara, que já havia sido dirigida por Fincher em A Rede Social. A trama é centrada na investigação do jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig), acerca do desparecimento há 36 anos de Harriet Vanger (Moa Garpendel). Para a empreitada, Blomkvist conta com a ajuda de Lisbeth (Mara, em atuação indicada ao Oscar), com quem acaba se envolvendo enquanto descobre os podres da família Vanger. No elenco também Christopher Plummer, Stellan Skarsgard, Robin Wright, Joely Richardson e Goran Visnjic. Filme vigoroso e bem conduzido, Millennium recebeu cinco indicações ao Oscar – vencendo o de montagem, e bilheteria de 232 milhões de dólares. A sequência The Girl Who Played with Fire continua nos planos do diretor, mesmo que nada oficial tenha sido acertado.

Garota Exemplar (2014)

garotaexemplar_01
Fox

Entre Millennium e seu novo thriller GAROTA EXEMPLAR (Gone Girl) – longa baseado no livro homônimo de Gillian Flyn, David Fincher atuou como diretor em dois episódios e produtor executivo da aclamada série House of Cards, e esteve envolvido em dois projetos cinematográficos que não foram adiante: o remake de 20 mil Léguas Submarinas e a adaptação do livro Cleopatra: A Life, épico que trará Angelina Jolie como a rainha do Nilo. Fincher preteriu esses dois filmes, optando por mais uma vez embarcar numa trama de suspense. Garota Exemplar acompanha o desaparecimento de Amy Dunne (Rosamund Pike) no dia do aniversário de casamento, deixando seu marido Nick – Ben Affleck, em primeira colaboração com o diretor, desesperado. Com o passar das investigações, Nick se transforma no principal suspeito do sumiço de Amy, por conta de suas mentiras e comportamento descontrolado. Seria ele inocente ou culpado? Com orçamento de 61 milhões de dólares, Garota Exemplar chega aos cinemas brasileiros em 2 de outubro. No elenco também Carrie On, Neil Patrick Harris, Tyler Perry e Patrick Fugit, e trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross, em terceira colaboração com o diretor.

Os filmes do diretor Adrian Lyne

adrian_lyne_diane_lane_09
Lyne e Diane Lane no set de Infidelidade / Fox

Dualidade de ações e sentimentos são temas recorrentes na carreira de Adrian Lyne, diretor inglês de 73 anos, responsável por sucessos como Flashdance, 9 1/2 Semanas de Amor e Atração Fatal. Com seu estilo característico – jogos de luz e sombras e enquadramentos diferenciados, o realizador que por mais de uma década permaneceu distante dos cinemas ensaia um retorno com dois projetos: O Negociador, adaptação do livro The Associate de John Grishman (A Firma, Tempo de Matar), e Black Roads, com roteiro do diretor a partir do livro homônimo, escrito por Tawni O’Neal. Ambição, sexo, traição, são alguns dos sentimentos visitados pelo cinema de Adrian Lyne.

Gatinhas (Foxes, 1980)

gatinhas_01
O quarteto juvenil liderado por Jodie Foster / MGM

Após dois curtas realizados na Inglaterra em 1973 e 76 – The Table e Mr. Smith, Lyne estreou em 1980 na direção de um longa metragem com o drama juvenil Gatinhas. A trama acompanha as descobertas de um grupo de adolescentes, liderado por Jodie Foster, na época com 18 anos e em atuação elogiada. Cherie Currie, Marilyn Kagan e Kandice Stroh, completavam o quarteto. O elenco trazia também Scott Baio, Randy Quaid e Laura Dern – em sua estreia nos cinemas.

Flashdance (1983)

flashdance_02
Beals e Nouri em cena do romance musical / Paramount

Três anos depois de sua estreia com Gatinhas, Adrian Lyne dirigiu um dos filmes mais emblemáticos dos anos 80: o romance musical Flashdance – que na época ganhou um subtítulo no Brasil: Em Ritmo de Embalo, atualmente em desuso. Recusado por Melanie Griffith, o papel da metalúrgica e dançarina Alex Owens ficou com a novata Jennifer Beals, derrotando as outras finalistas Leslie Wing e uma certa Demi Moore. Com o modesto orçamento de 7 milhões de dólares, a produção virou fenômeno mundial ao arrecadar mais de US$ 200 milhões na bilheteria internacional. Pontuado por uma trilha sonora marcante – com destaque para Flashdance… What Feeling, Oscar de melhor canção, e She a Maniac – o longa é uma transposição para a década de 80 da clássica história da Cinderela, trazendo o inconfundível estilo de direção de Lyne. Alex é uma exímia dançarina – com o sonho de ser bailarina, que encontra o amor na figura de Nick (Michael Nouri), chefe da construção em que trabalha. Logicamente ao fim desse clássico da Sessão da Tarde, a garota conseguirá realizar todos os seus sonhos. Indicado a quatro prêmios Oscar e terceira maior bilheteria de 1983 nos EUA.

9 1/2 Semanas de Amor (9 1/2 Weeks, 1986)

noveemeiasemanasdeamor_03
Kim Basinger sofreu nos bastidores de 9 1/2 Semanas de Amor por conta do comportamento hostil de Rourke e Lyne / Fox

Muito antes do famigerado 50 Tons de Cinza, desejo, amor, submissão e masoquismo foram temas discutidos no longa de Lyne, 9 1/2 Semanas de Amor. No drama erótico, Kim Basinger – em ótima atuação – é Elizabeth, assistente numa galeria de arte que se envolve no jogo de sedução de John (Mickey Rourke), um bem sucedido empresário de Wall Street – na época popularmente conhecidos como yuppies. Com orçamento de 17 milhões de dólares, a produção chocou grande parte do público em suas exibições teste. Obrigando o diretor a amenizar cenas de sexo e cortar uma sequência em que John humilhava Elizabeth, a obrigando a andar de quatro recolhendo notas de dinheiro. Fracasso entre crítica e público nos EUA, 9 1/2 Semanas de Amor fez um enorme sucesso internacionalmente, principalmente em país europeus e da América Latina – rendendo mais de US$ 100 milhões. No Brasil o longa ficou em cartaz por dois anos e meio no Cine Belas Artes em São Paulo. Assim como Flashdance, 9 1/2 Semanas de Amor é um dos grandes representantes estéticos da década de 80, com seus jogos de luz e sombra, uma direção que remetia a publicidade da época e trilha sonora inspirada com canções como The Best Is Yet Come, Let It Go – ambas da cantora Luba, Slave to Love, This City Never Sleeps – respectivamente de Bryan Ferry e Eurythmics, e You Can Leave Your Hat On de Joe Cocker, eternizada na sequência em que Elizabeth faz um striptease para John. Outro destaque é a trilha instrumental composta por Jack Nitzsche. 9 1/2 Semanas de Amor marcou época, transformou Basinger e Rourke – um dos grandes casais do cinema – em ícones dos anos 80 e rendeu dois desnecessários filmes derivados. A fraca sequência lançada em 1997, 9 1/2 Semanas de Amor 2 em que Rourke reviveu seu personagem ao lado da inexpressiva Angie Everhart, e As Primeiras 9 1/2 Semanas de Amor – caça níquel sem nenhuma relação com o filme original.

Atração Fatal (Fatal Attraction, 1987)

atracaofatal_04
Atração Fatal: maior sucesso de crítica da carreira do diretor / Paramount

Traição foi o tema seguinte de Adrian Lyne em Atração Fatal, produção que suscitou uma discussão em torno das relações extraconjugais e suas consequências. Na trama uma soberba Glenn Close é Alex Forrest que após um caso fugaz de um fim de semana com um homem casado (Michael Douglas), começa a persegui-lo e também sua família. O roteiro de James Dearden – indicado ao Oscar, vitimiza o marido infiel, transformando a amante em uma psicopata obcecada por destruir uma família feliz. Fato que desagradou grande parte das mulheres, em especial a feminista Susan Faludi, que destacou no livro Backlash: The Undeclared War Against American Women, a imagem negativa e doentia que o filme estabeleceu para uma mulher independente e profissionalmente bem sucedida como Alex. Deixando essa discussão de lado, Atração Fatal é um grande suspense, brilhantemente conduzido por Lyne e com ótimas atuações de Douglas, Anne Archer, Ellen Hamilton Latzen – que vive a filha do casal, e em especial Glenn Close, em uma das melhores atuações da história do cinema. Indicado a seis prêmios Oscar – incluindo filme, diretor, atriz e atriz coadjuvante, o longa foi ainda a maior bilheteria daquele ano nos EUA, com US$ 320 milhões em caixa. Merece destaque também o final original da obra que fora reprovado em exibições teste, nele Alex se suicida ao som da ópera Madame Butterfly. O público preferiu ver a esposa traída e o marido traidor, unidos, e exterminando a psicótica amante.

Alucinações do Passado (Jacob’s Ladder, 1990)

alucinacoesdopassado_05
Suspense com Tim Robbins / Lionsgate

Após todo o sucesso de Atração Fatal, Adrian Lyne continuou no campo do suspense. Dessa vez deixando o sexo de lado, e apostando numa trama de terror psicológico. O roteiro de Bruce Joel Rubin (Ghost – Do Outro Lado da Vida) acompanha Jacob (Tim Robbins, em papel recusado por Tom Hanks e Mickey Rourke), um veterano da Guerra do Vietnã, atormentado pelos momentos que passou na guerra e por misteriosas visões. O elenco trazia também Elizabeth Peña, Danny Aiello, Jason Alexander e Ving Rhames. Apesar de bem aceito pela crítica, teve passagem discreta pelos cinemas.

Proposta Indecente (Indecent Proposal, 1993)

propostaindecente_06
Demi Moore recebeu 5 milhões de dólares para protagonizar Proposta Indecente / Paramount

Com a pouca repercussão de Alucinações do Passado e ainda sem poder tirar do papel sua sonhada adaptação de Lolita, Lyne voltou as polêmicas com Proposta Indecente. Grande sucesso de bilheteria – 266 milhões de dólares arrecadados – que motivou discussão em torno de que até que ponto o dinheiro compra tudo. Adaptação do livro homônimo de Jack Engelhard, a produção trazia o casal Diana (Demi Moore em raro ótimo momento) e David (Woody Harrelson), atravessando uma crise financeira e surpreendidos com a proposta de um milhão de dólares do milionário John Gage – interpretado pelo carismático Robert Redford. Em troca do dinheiro, ele deseja uma noite de sexo com Diana. Apesar de ter sofrido nas mãos dos críticos na época de seu lançamento, Proposta Indecente é um drama interessante, apoiado no costumeiro apuro técnico de Lyne. Outros destaques foram a bela trilha sonora de John Barry – incluindo o tema do filme, Ordinary Love de Sade, e o desempenho de Demi Moore – em papel recusado por Isabelle Adjani, Julia Roberts e Nicole Kidman, que faria par com Tom Cruise tendo Warren Beatty como o milionário. Na época vivendo o auge do sucesso por conta de Ghost e Questão de Honra, Moore entregou uma sensível atuação. Comprovando que antes de ser engolida por seu ego inflado, já foi uma boa atriz. Oliver Platt, Billy Bob Thornton, Billy Connolly e o veterano Seymour Cassell, completam o elenco.

Lolita (1997)

lolita_07
Jeremy Irons e Dominique Swain / Pathé

Desde o final da década de 80, Adrian Lyne nutria o desejo de levar para as telas sua versão do polêmico romance de Vladimir Nabokov, Lolita. Com parte de financiamento francês – através da produtora Pathé, o longa começou a ganhar forma em meados dos anos 90, com roteiro do então estreante jornalista Stephen Schiff. Inicialmente destinado a Dustin Hoffman, o personagem Humbert Humbert – um professor de literatura francesa – ficou com o inglês Jeremy Irons. Para Dolores Haze, a Lolita, fora escolhida a novata Dominique Swain, então com 15 anos. Melanie Griffith, em atuação constrangedora, e Frank Langella completavam o elenco. Com orçamento de 62 milhões de dólares, a produção estreou inicialmente no mercado europeu, chegando ao público norte-americano primeiro na TV fechada com exibição no canal Showtime e posterior estreia em forma limitada nos cinemas. Mesmo envolto em grande controvérsia, o filme recebeu boas críticas, em especial aos desempenhos de Irons e Swain – que teve uma dublê de corpo para as cenas com carga sexual. A trama acompanha a obsessão de Humbert pela dissimulada Lolita, uma garota de 14 anos – no livro, 12. Figurou entre os 10 melhores de 1998 na lista anual do National Board of Review. O romance de Nabokov teve uma versão anterior para os cinemas em 1962, com roteiro do próprio autor e direção de Stanley Kubrick.

Infidelidade (Unfaithful, 2002)

infidelidade_08
Diane Lane e Richard Gere em cena de Infidelidade / Fox

Lolita foi um projeto complicado, pouco visto pelo grande público e com o trabalho de Lyne ignorado pelos críticos. O longa seguinte do diretor era menos difícil, revisitar um tema que deu certo no passado: a traição. Versão de Le Femme Infidèle – longa francês dirigido por Claude Chabrol em 1962, Infidelidade traz o outro lado da moeda mostrado anteriormente em Atração Fatal. Richard Gere e Diane Lane são Edward e Connie, um casal que tem a estabilidade do relacionamento atravessada por um francês (Olivier Martinez) que envolve a esposa entediada em um jogo de prazer e sedução. Sucesso de bilheteria – 119 milhões de dólares arrecadados, Infidelidade rendeu a Lane uma indicação ao Oscar por seu bom desempenho.

Perfil: Sharon Stone

Um dos maiores ícones femininos do cinema nos anos 1990, a atriz norte-americana Sharon Stone anda sumida das produções de destaque desde 2007. Ano em que participou do longa Alpha Dog, dirigido por John Cassevetes e que trazia no elenco Bruce Willis e Justin Timberlake.

sharonstone_01
Divulgação

A ex-modelo passou a década de 1980 participando de produções como As Minas do Rei Salomão – xerox de qualidade duvidosa da clássica série Indiana Jones, Loucademia de Polícia 4 e Action Jackson. Sem desistir do desejo de se tornar uma estrela de cinema, Stone conseguiu um papel coadjuvante no longa de ação O Vingador do Futuro, um dos maiores lançamentos do verão americano em 1990. Estrelado pelo então maior astro do cinema Arnold Schwarzenegger e dirigido pelo ousado Paul Verhoeven (RoboCop – O Policial do Futuro), a ficção científica baseada na obra de Philip K. Dick (Blade Runner – O Caçador de Androides) foi um grande sucesso naquele ano. Por tabela Stone recebeu elogios por seu trabalho e estampou a Playboy americana por, segundo declarações da atriz, um cachê de 50 mil dólares.

Salto para o sucesso

sharonstone_02
O Vingador do Futuro e Instinto Selvagem: Bem sucedida parceria com Verhoeven / Universal

Sharon Stone ganhou notoriedade com O Vingador do Futuro e a capa da Playboy, mas esses fatos não trouxeram bons papéis. Paul Verhoeven, que a dirigiu anteriormente no longa estrelado por Schwarzenegger, estava pronto para iniciar os trabalhos no polêmico thriller Instinto Selvagem. Com Michael Douglas no papel principal, o diretor buscava uma atriz famosa para acompanhá-lo. Tarefa que não era fácil, pois o filme trazia uma grande quantidade de cenas de sexo, nudez e lesbianismo. A escolha inicial do estúdio, Michelle Pfeiffer, recusou a proposta optando por viver a Mulher-Gato em “Batman – O Retorno”. Julia Roberts, Kim Basinger, Geena Davis, Jodie Foster, entre outras atrizes, também disseram não ao roteiro “maldito”. Ao contrário de suas colegas mais famosas, Stone queria a personagem, mas não tinha o starpower que elas possuíam. Após muita insistência e testes, a loura conseguiu o papel da enigmática escritora bissexual Catherine Tramell. O resultado todos já sabem, sucesso de bilheteria e uma indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz. Tramell parece que foi escrita especialmente para Stone. Nenhuma outra atriz faria esse papel melhor do que a loura, que foi eternizada na história do cinema com a famosa e ousada cruzada de pernas.

sharonstone_05
Com William Baldwin em Invasão de Privacidade / Paramount

O projeto seguinte da mulher mais comentada de 1992 foi o thriller, mais uma vez erótico, Invasão de Privacidade. Diferente da excelente química com Michael Douglas em Instinto Selvagem, Stone detestou William Baldwin, seu companheiro de cenas quentes no novo longa. A crítica detonou sem pena a produção, mas a bilheteria satisfatória consolidou Sharon como a estrela do momento no cinema hollywoodiano. Percebendo que a indústria tinha interesse em rotulá-la como femme fatale de filmes ousados, Sharon diversificou seus projetos atuando em longas como o western spaghetti Rápida e Mortal e o drama Intersection – Uma escolha, Uma Renúncia, ambos fracassos. Parecia que o público não queria ver a bela Stone em papéis que não explorassem sua sensualidade.

Nas mãos de Scorsese

sharonstone_03
Ponto alto: Em cena com Robert De Niro sob a direção de Scorsese / Universal

A grande chance de ser levada a sério pela crítica viria em 1995, pelas mãos de Martin Scorsese em Cassino com Robert De Niro. Stone derrotou Kim Basinger, Nicole Kidman, Madonna, Melanie Griffith e a ex-atriz pornô Traci Lords pelo papel da drogada, alcoólatra e mulher de malandro Ginger. Personagem inicialmente oferecida a Michelle Pfeiffer. Crítica e público aclamaram a atuação visceral de Sharon, que por seu desempenho venceu o Globo de Ouro como melhor atriz e recebeu uma indicação ao Oscar na mesma categoria. Susan Sarandon por Os Últimos Passos de Um Homem ficou com o prêmio. Infelizmente para o público e para Sharon o resultado positivo de Cassino foi fogo de palha. Diabolique, A Última Chance, Esfera e Glória foram todos mal sucedidos junto a crítica e fizeram água na bilheteria. Dessa fase se salvaram apenas Sempre Amigos e A Musa, produções que renderam a atriz indicações ao Globo de Ouro.

sharonstone_06
Bobby marcou o encontro nas telas de Stone com Demi Moore / Imagem

No início da primeira década dos anos 2000 a atriz se afastou dos cinemas por problemas de saúde. Um aneurisma cerebral, do qual ela se recuperou sem qualquer sequela. Saudável e disposta a retomar sua carreira, Stone voltou aos cinemas com o suspense mediano Garganta do Diabo, ao lado de Dennis Quaid e participou da série televisiva O Desafio que rendeu a atriz um Emmy como melhor convidada em 2003. No ano seguinte encarnou a vilã Laurel Hedare na equivocada e criticada adaptação de HQ Mulher-Gato, fracasso estrelado por Halle Berry. Os independentes Flores PartidasBobby – que marcou seu tão aguardado encontro nas telas com a também estrela sexy dos anos 1990, Demi Moore -, tiveram melhores resultados.

O retorno a Tramell

sharonstone_04
Disney

O ano de 2006 marcou o retorno de Stone, aos 48 anos esbanjando beleza e sensualidade, a icônica personagem Catherine Tramell na comentada e tardia sequência Instinto Selvagem 2. Única remanescente do longa original, a atriz pagou o maior mico de sua carreira. Com uma bilheteria pífia e considerado o pior filme daquele ano, Instinto Selvagem 2 certamente foi o principal motivo para o sumiço da atriz de produções de destaque. Stone acreditava que o longa revigoraria sua carreira. Infelizmente aconteceu o contrário. Desde meados de 2007 ela vem participando apenas de produções esquecíveis lançadas diretamente em DVD nos EUA. A loura ensaia um retorno em duas frentes. Na televisão, participando de um episódio da bem sucedida série policial Law & Order: Special Victims Unit e no cinema com o longa francês Largo Winch II. Em que viverá outra femme fatale, ligada ao protagonista interpretado por Tomer Sisley. Dona de papéis de mulheres decididas, perigosas e fortes. Sharon Stone é sinônimo de beleza e sensualidade, um ícone dos anos 90 impossível de esquecer.