Nostalgia: 25 anos de Instinto Selvagem

Reprodução – Universal Pictures / StudioCanal

Em 20 de março de 1992 chegava aos cinemas norte-americanos Instinto Selvagem, um dos filmes mais marcantes daquela década. Dirigido por Paul Verhoeven, o filme transformou em estrela Sharon Stone como a femme fatale Catherine Tramell. Hoje é inimaginável outra atriz no papel. Voltando no tempo não foi fácil a escolha da protagonista. Joe Eszterhas, de Flashdance, escreveu o roteiro de Instinto Selvagem em 13 dias, e o vendeu a peso de ouro, 3 milhões de dólares, para a Carolco Pictures. Continuar lendo Nostalgia: 25 anos de Instinto Selvagem

Nostalgia: Celebridade e a inesquecível Laura de Cláudia Abreu

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Fotos – Divulgação/Tv Globo
Em 13 de outubro de 2003, exatos 13 anos, estreava Celebridade, uma das melhores novelas do autor Gilberto Braga. Certamente atrás apenas de Vale Tudo (1988-89). Inspirado pelo clássico A Malvada (All About Eve), o autor colocou como rivais duas de suas musas: Malu Mader e Cláudia Abreu. Malu era Maria Clara Diniz, empresária bem sucedida, alvo de Laura Prudente da Costa, a inesquecível Cachorra interpretada com maestria por Cláudia. Era a primeira vilã da carreira da atriz, e outra grande antagonista na galeria do autor.

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Manhattan: Woody Allen em grande forma

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Woody Allen em auge criativo entregou Manhattan (EUA, 1979), certamente um dos melhores longas de sua filmografia e uma declaração de amor à Nova York. Humor inteligente, uma das características dos roteiros do artista – aqui repetindo parceria de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall) com Marshall Brickman. Química irretocável entre Allen e Diane Keaton, ótimas atuações de Michael York e Mariel Hemingway – nomeada ao prêmio da Academia de atriz coadjuvante, vencido pela companheira de elenco Meryl Streep por Kramer vs. Kramer. Emoldurados pelas belas locações de Nova York, e a fantástica trilha sonora com composições de George Gershwin, a cargo das orquestras filarmônicas de Nova York e Buffalo. Com destaque para “Someone to Watch Over Me” em casamento perfeito com a charmosa fotografia em preto e branco de Gordon Willis. Parceiro habitual de Allen, Willis foi indicado ao BAFTA por esse irrepreensível trabalho. Continuar lendo Manhattan: Woody Allen em grande forma

Melrose Place – Primeira Temporada: De jovens descobrindo a vida adulta a intrigas e traições

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O elenco original da série

Os dilemas, sonhos e amores de oito jovens encarando a vida adulta. Essa era a premissa de Melrose Place, no Brasil simplesmente Melrose. Série que chegou a televisão mundial no início dos anos 90, seguindo o sucesso de Beverly Hills, 92010 (Barrados do Baile). Os oito, a princípio, super amigos, viviam em um complexo de apartamentos em Los Angeles. Criada por Darren Star, também responsável por BH, 902010 e posteriormente Sex and The City, a série trazia a cada episódio histórias que se fechavam em si, e invariavelmente com lições de vida. Continuar lendo Melrose Place – Primeira Temporada: De jovens descobrindo a vida adulta a intrigas e traições

Com Angelina Jolie, há 15 anos Lara Croft abria as portas para as heroínas no cinema

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Paramount Pictures

Lá se vão 15 anos da estreia nas telonas da maior heroína dos games Lara Croft, interpretada pela musa Angelina Jolie. Em 15 de junho de 2001, Lara Croft: Tomb Raider fez história ao arrecadar em sua abertura 47 milhões de dólares – de um total de US$ 274 milhões no mundo. Se tornando a maior estreia de um filme centrado numa personagem feminina naquele momento. Nem as críticas negativas, exageradas, afastaram o público.  Continuar lendo Com Angelina Jolie, há 15 anos Lara Croft abria as portas para as heroínas no cinema

Demolidor – O Homem Sem Medo é mesmo ruim?

Sim! Pior do que lembrava e longe de se tornar uma aventura suportável

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Fotos – Fox

Com uma bem sucedida série na Netflix – apesar da queda de qualidade da segunda temporada, Demolidor é hoje um personagem muito bem desenvolvido e consolidado no Universo Cinematográfico da Marvel. Tendo na atuação de Charlie Cox um de seus méritos, além da abordagem mais séria em relação a grande maioria dos filmes da Casa das Ideias. Diferente disso, há 13 anos o personagem não teve aceitação e aplausos ao estrear nas telonas com um filme muito ruim. Feito numa época em que as adaptações de personagens da Marvel ainda engatinhavam. Ao chegar às telas Demolidor – O Homem Sem Medo (Daredevil, EUA, 2003) era uma versão econômica do Homem-Aranha de Sam Raimi, lançado com enorme sucesso no ano anterior. Ben Affleck era Demolidor/Matt Murdock nessa produção de 2003, com roteiro e direção de Mark Steven Johnson, que anos depois cometeria outra bomba baseada em HQ da Marvel: Motoqueiro Fantasma. Continuar lendo Demolidor – O Homem Sem Medo é mesmo ruim?

O Rei da Comédia: outro filme excelente da parceria De Niro/Scorsese

“É melhor ser rei por uma noite, do que idiota por uma vida inteira”.

– Rupert Pumpkin.

O rei da atuação: De Niro em grande forma

No último sábado finalmente assisti o único filme da dupla Robert De Niro/Martin Scorsese que ainda faltava: O Rei da Comédia (The King of Comedy, EUA). A comédia dramática lançada em 1983, foi o projeto seguinte dos dois pós sucesso de Touro Indomável. Um grande acerto. De Niro, em outra excelente atuação, é Rupert Pumpkin, um aspirante a comediante de stand up que deseja estrear na televisão em grande estilo: como atração do programa de Jerry Langford, um famoso apresentador e comediante. Langford é interpretado por ninguém menos que Jerry Lewis, ótimo. Continuar lendo O Rei da Comédia: outro filme excelente da parceria De Niro/Scorsese

Nostalgia: Velocidade Máxima completa 20 anos

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Fotos: Fox

Inspirado por Expresso para o Inferno – longa de 1985, estrelado por Jon Voight, o roteirista Graham Yost concebeu Velocidade Máxima (Speed) no início dos anos 90. No lugar de um trem desgovernado, entrou um ônibus que não poderia ter sua velocidade a menos de 80km/h. O longa de ação marcou a estreia na direção de Jan De Bont, então diretor de fotografia de sucessos como Duro de Matar e Instinto Selvagem. Ele fora escolhido após as recusas de Renny Harlin (Duro de Matar 2) e Quentin Tarantino.

O filme tinha como protagonistas, um policial da SWAT (Jack Traven) e uma garota comum com grande senso de humor (Annie), que se vê no meio do olho do furacão ao entrar no ônibus errado – alvo do antagonista, um maníaco especialista em bombas. Jeff Bridges e Ellen Degeneres foram as primeiras escolhas para Jack e Annie, ambos recusaram. Stephen Baldwin – irmão mais novo e menos famoso de Alec Baldwin, virou então a escolha dos produtores. O ator recusou o papel por considerar Jack, “muito parecido com John McClane” – personagem de Bruce Willis em Duro de Matar. Mostrando ser um visionário, Baldwin preferiu fazer Três Formas de Amar, um dos maiores fracassos de 1994. Johnny Depp fora outro que passou Velocidade Máxima adiante.

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Relembrando: O pretensioso 9 1/2 Semanas de Amor 2

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Lionsgate

Sequências dificilmente superam ou são tão boas quanto às obras originais. As duas afirmações são aplicadas com exatidão a 9 1/2 Semanas de Amor 2 (Another 9 1/2 Weeks – Love in Paris), fraca produção lançada sem nenhum alarde em 1997. 11 anos após viver intensas nove e meia semanas de amor com a bela Elizabeth (interpretada por Kim Basinger no longa de 1986), John (Mickey Rourke) continua apaixonado por ela, e por conta disso vive deprimido e distante das mulheres com que se envolve. Ao saber que sua antiga paixão irá leiloar quadros em Paris, ele parte em busca de reencontrá-la. O que o empresário encontra na capital francesa é apenas frustação, já que Elizabeth não está presente no evento, e sim uma amiga dela que conhece todos os detalhes da intensa e complicada relação dos dois e também o paradeiro da loura.

9 1/2 Semanas de Amor chegou aos cinemas do mundo em meados dos anos 80 em torno de muita polêmica, por tratar abertamente sadomasoquismo e submissão como pano de fundo de um romance – claramente inspirado por O Último Tango em Paris de Bernardo Bertolucci e 25 anos antes do livro 50 Tons de Cinza. Com direção de Adrian Lyne – vindo do sucesso Flashdance, a produção foi fracasso entre público e crítica nos EUA, mas um enorme êxito na Europa e América Latina. Rendeu no mundo mais de US$ 100 milhões de dólares, transformou Rourke e Basinger em estrelas internacionais, trilha sonora e cenas em ícones dos anos 80. Tanto sucesso despertaria o interesse para uma sequência.

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Rourke e Basinger em 9 1/2 Semanas de Amor / Divulgação – Fox

Em 1989, Zalman King – um dos roteiristas do original, pretendia reunir em Four Days in Frebuary, Mickey Rourke e Kim Basinger. A atriz recusou a proposta, o projeto foi engavetado e Rourke e King foram cometer o famigerado Orquídea Selvagem. Oito anos depois, Rourke já no ostracismo profissional após se aventurar pelo boxe profissional, recusar filmes como Pulp Fiction – o papel fora dado a Bruce Willis, e ficar irreconhecível após cirurgias plásticas para reconstruir o rosto destruído por conta das lutas, retornou ao personagem John Gray.

Com direção de Anne Goursaud (uma das montadoras de Drácula de Bram Stoker), o longa tem como cenário as belas locações de Paris, e uma pretensa vontade de ser – sem conseguir – um filme de arte europeu. O fiapo de roteiro traz cenas inspiradas no longa original, momentos de extremo mau gosto – como a sequência de submissão com velas, e uma narrativa vazia, presunçosa e arrastada. A trama vai do nada ao lugar nenhum, comprovando a real inexistência da necessidade de um segundo filme. A ex-modelo Angie Everhart interpreta sem o menor carisma Lea, estilista e confidente de Elizabeth. A personagem que deveria ser fascinante e misteriosa é apenas imatura e extremamente enfadonha. Mickey Rourke é outro que está abaixo do aceitável no longa. Completamente transformado fisicamente – não lembrando em nada o ótimo e sedutor ator que o público conheceu nos anos 80, Rourke faz de John, um esquisito inexpressivo, com hábitos grotescos e nenhum charme. Outro ponto negativo – dos inúmeros já citados – é a trilha sonora fria, composta por música eletrônica pouco inspirada.

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Angie Everhart dá show de canastrice / Reprodução

Arrastado, vazio e pretensioso, 9 1/2 Semanas de Amor 2 serviu apenas para desagradar os fãs do longa original e mostrar que aquele Mickey Rourke que o público conheceu, estava perdido. O ator voltaria a boa forma em produções de destaque quase uma década depois, deixando o ostracismo de lado, com longas como Chamas da Vingança, Sin City, Domino – A Caçadora de Recompensas, O Lutador – em fantástica atuação indicada ao Oscar em 2009, e Homem de Ferro 2.

Em DVD

9 1/2 Semanas de Amor 2 (Another 9 1/2 Weeks – Love in Paris, França/EUA/Inglaterra, 1997) De Anne Goursaud. Com Mickey Rourke, Angie Everhart, Agathe de La Fontaine, Steven Berkoff, Dougray Scott. 105 minutos. Europa. Cotação: Ruim

Relembrando: Curtindo a Vida Adoidado

Bueller? Bueller? Bueller?

Quando eu era moleque – e já faz um tempinho, não perdia a Sessão da Tarde na Globo. Naquela época, diferente de hoje, geralmente eram exibidos filmes de sucesso, cativantes e que ao longo dos anos viraram clássicos e permanecem até hoje no meu coração e de grande parte de quem cresceu nos anos 90. Um desses filmes inesquecíveis é “Curtindo a Vida Adoidado” com Matthew Broderick. Todo garoto da geração 80/90 queria ser Ferris Bueller, o cara gente boa que sempre se saia bem das mais curiosas situações, com um cativante e debochado sorriso no rosto.

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Fotos – Paramount Pictures

Dirigido por John Hughes (“Clube dos Cinco“, produtor de “A Garota de Rosa Shocking“) – falecido em 2009, aos 59 anos em decorrência de um ataque cardíaco, mestre dos filmes adolescentes da década de 80, “Curtindo a Vida Adoidado” possui no carismático elenco o seu grande trunfo. Matthew Broderick nasceu para interpretar Ferris, é o papel de sua vida. Pelo personagem ele recebeu uma indicação ao Globo de Ouro como melhor ator, e eternizou sua imagem no imaginário popular. Alan Ruck, Mia Sara, Jeffrey Jones e Charlie Sheen – em uma participação rápida e marcante, também estão ótimos. Mas é Jennifer Grey quem rouba a cena com sua mal humorada Jeanie, irmã de Ferris. Uma pena que Grey, estrela de outro sucesso oitentista “Dirty Dancing – Ritmo Quente“, tenha perdido destaque no cinema. Ela está ótima.

Fantástica nostalgia

“Curtindo a Vida Adoidado” é o tipo de filme que nunca cansa o espectador, mesmo que seja visto incontáveis vezes. São tantos momentos fantásticos e nostálgicos – em especial a cena do desfile alemão, em que Ferris dança ao som de “Twist and Shout” dos Beatles, que tornam o filme uma verdadeira viagem para um período inesquecível de nossa vida. E… quem nunca sonhou em ser Ferris Bueller?

Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, EUA, 1986) De John Hughes. Com Matthew Broderick, Alan Ruck, Mia Sara, Jennifer Grey, Jeffrey Jones, Charlie Sheen. Paramount. 102 min. Cotação: Excelente